sexta-feira, 2 de maio de 2014

Capitulo 33 - «Andam sempre tão alegres e contentes...dá ideia que é todas as noites»


Salvio: 

Desde que comecei a falar com a Ana, a minha vida deu uma volta de 180º. Ela é simplesmente a metade que eu procurava, o ser humano mais maravilhoso e fantástico à face da terra. É minha. Hoje é minha e assim será sempre. Só o facto de ela ter ido ter a Leverkusen comigo porque não me tinha respondido ao pedido de namoro, demonstra mesmo aquilo que ela é. 
Eu amo-a, desde o primeiro dia em que cheguei ao Benfica regressado do Atlético de Madrid. Todas as manhãs ela estava lá a dar-me os bons dias e, não sabendo, tornava logo o meu dia mais feliz. 
Conhecer este outro lado dela, o lado de prima preocupada e que ama o seu pequeno, é fantástico...ela irá dar uma mãe super babada, com um instinto de proteção fantástico. 
E o David?
Começámos com o pé esquerdo mas ele está a tornar-se um doce de menino, estamos a ligar-nos, ele é sem duvida especial, tem qualquer coisa no seu interior que eu desejo que os meus filhos tenham. Adoro o menino, é mesmo especial para mim que ele me esteja a aceitar na vida dele e que comece a gostar de mim. 
O dia foi fantástico, com eles os dois tornou-se perfeito mesmo...e caricato ao chegar a casa. Eu e a Ana bem que tentámos chegar junto do David antes de ele entrar no quarto...mas foi tarde demais. Já ele estava, espantadissimo, a perguntar à mãe porque é que o André estava em cima da Rita e se eles estavam sem roupa.
Ficámos todos um pouco sem saber o que fazer...mas o melhor era deixar a Rita e o André vestirem-se, por isso peguei no David ao colo levando-o para a sala, e pouco depois já tinha a Ana junto a mim também. 
Estávamos os três a olhar uns para os outros...nem eu, nem a Ana sabíamos lidar com esta situação. 
- Pima...o Dê tava em chima da mamã. 
- Sim, Dádá...
- E shem ropa, poque?
A Ana não lhe respondeu, apenas se sentou ao lado dele. Tomei a iniciativa de me sentar do outro lado do David, e de lhe tentar explicar alguma coisa. 
- David...a tua mamã gosta muito do André. 
- Como tu ostas da pima?
- É capaz de ser mais porque eles se conhecem à mais tempo.
- Mas voshes tambem ficam ashim?
- Ainda não David - quem lhe respondia era a Ana - a tua mamã e o André já estão juntos à mais tempo.
- Ah. E é nomal?
- É. É uma coisa bonita David, mas que tu só devias saber daqui a uns anos - expliquei. 
- Poque?
- Porque é uma coisa dos crescidos. Quando tiveres uma namorada e se conhecerem bem, também podes fazer o mesmo. 
- Mas com cuidado! - alertou a Ana. O nosso jeito não era o de pais, mas tentávamos o nosso máximo. 
- Mas poque é que tem de se sem ropa?
- É do calor - respondeu a Ana - porque é assim: sabes os bebés que tu pedes no Natal?
- Shim...
- A mamã e o André também têm de os pedir à cegonha e ao pai Natal, só que eles têm de pedir com beijinhos mas muitos beijinhos para terem os bebés. 
- Sim, é isso mesmo! - concordei com a Ana que lhe estava a tentar explicar tudo da maneira que conseguia, mas só me apetecia rir. 
- Então ewes tão a tenta que eu tena um mano?
- Sim, mas ainda estão só a tentar, e como estiveram longe também estão a matar saudades. 
- E eu não posho i po pé dewes nesha atura?
- É melhor não David... - não resistimos e desmanchamo-nos a rir. 
- Poque é que tão a ri?
- Por nada pequeno - respondi-lhe, mexendo-lhe no cabelo.
- Percebeste o que nós te tentámos dizer? - perguntou-lhe a Ana. 
- Shim. A mamã e o papá Gomas, estavam a pedir um mano, mas tavam com calol. 
- É isso mesmo, campeão! - a Ana aliviou a tensão e riu. Entretanto entraram na sala o André e a Rita meio envergonhados. 
- Nós não sabíamos que vocês chegavam tão cedo - começou a Rita. 
- Pois...se calhar devia ter avisado. Desculpa - disse-lhe a Ana. 
A Rita, colocou-se de joelhos em frente do David, dando um beijo ao filho. 
- Dádá, a mãe tem de te explicar o que é que se passou. 
- A pima e o pimo Shalvio expicaram - ele...tinha acabado de me chamar primo Salvio? Olhei para a Ana, que tinha uma lágrima a escorrer-lhe pela cara, mas com um sorriso enorme nos lábios. 
Eu quero fazer parte de tudo na vida dela e ter o David a considerar-me primo...é o melhor que todo o esforço poderia ter dado. 
- E o que é que eles explicaram? - perguntou-lhe ela. 
- Que tu e o Dê tavam a pedi ao pai Natal e a chegona um mano. Mas que tavam com calol. Posho i bincar?
- Podes, filho. Claro! - o David saiu do sofá e a Rita levantou-se, colocando-se a lado do André. Também eu e a Ana nos levantámos e, institivamente, puxei a minha princesa para os meus braços.
- Pedir ao pai Natal e à cegonha um mano? Obrigada...a serio! - a Rita agradeceu, alíviada. 
- Não temos jeito de pais, mas demos o nosso melhor - a Ana falou, encostando a sua cabeça no meu peito. 
- E como é que correu o dia? Ele chamou primo Salvio...são grandes avanços. 
- Shalvio!?
- Diz campeão?
- Ques bincar?
- Claro! - fui ter com ele, sentando-me no chão para brincar com os carrinhos dele. Depressa o André se juntou a nós, deixando a Ana com a Rita. 

Ana:

- Conseguir juntá-los aos dois foi o melhor que podia ter acontecido - confessava à Rita, que me ouvia e questionava. 
- Mas correu tudo bem?
- Maravilhosamente! O David ainda não se lembrou mas tem montes de coisas para vos contar. 
- Pudera...encontrar-me na cama com o André fez o pequeno esquecer-se de tudo. 
- Rita...desculpa, a sério - desmanchei-me a rir, era impossível não o fazer. 
- Isso...eu estou para ver quando tiveres um Totito a entrar-te no quarto e tu com o Toto em cima. 
- O Dádá voltou a pedir um primo. Pediu ao Salvio.
- A serio?
- Sim. 
- E...?
- O Salvio disse que daqui a uns tempos pensamos em dar-lhe um primo. 
- Ele quer ter filhos Ana Maria...
- Eu também, sabes disso melhor que ninguém. 
- Acho que arranjas-te um belo pai. 
- Primeiro temos de começar os treinos e depois logo se vê. 
- Começar...ainda não houve nada entre vocês?
- Não...
- Tás a brincar!
- Não, não estou. 
- Estás! Só podes. 
- A serio Rita, em dois meses ainda não tive sexo com o Salvio. 
- Não parece nada. 
- Como assim?
- Andam sempre tão alegres e contentes...dá ideia que é todas as noites. 
- Rita! 
- Só estou a dizer a verdade!

Salvio:

Depois de algum tempo a brincar com o David e de a Ana estar a falar com a Rita, ela perguntou se podíamos ir para casa. Tinhamos combinado jantarmos juntos em minha casa e ela passava lá a noite. 
Despedimo-nos de todos e fomos para o Seixal. Assim que chegámos à porta de casa, lembrei-me de que não tinha contado uma coisa à Ana. 
- Mi amor...
- Sim? 
- Há uma coisa que não te contei. 
- O que? 
- Vamos entrar - abri a porta e fomos até à sala - eu comprei um cão. 
- A serio?
- Sim...Spike? - chamei o cão...tinha-me apaixonado por ele quando o vi. É mesmo querido e uma companhia para aqueles momentos em que a Ana não está. 
Ele veio da cozinha e vi que a Ana o adorou de imediato. 
- Que coisa mais linda! - ela pegou nele ao colo e o bicho deu-lhe logo uma lambidela no queixo - é mesmo lindo!
- E é nosso. 
- É teu. 
- E o que é meu é teu. Vamos tentar que ele seja o nosso Totito enquanto não vem um mais parecido contigo. 
- Salvio... - ela colocou o Spike no chão - os Totitos vão ser parecidos contigo. 
- Queres mais que um? - aproximei-me dela, rodeando-a com os meus braços. 
- Sempre mais que um. 
- Podem ser quatro?
- Quatro!?
- Eu tenho seis irmãos, estou habituado a casas com muita gente.
- Seis irmãos?
- Sim. Quatro rapazes e três raparigas.
- Mas tens noção que ter tantos filhos custa.
- Sim, eu sei, mas temos tempo de pensar nisso. Tenho de tirar uma foto com o Spike. 
- Para por no Instagram, claro!
- Sim, é para os meus pais verem. Quando mudar de casa vou trazer os outros. 
- Tens mais cães?
- Sim. Mais dois. A Lolla e o Maxi, que é igual ao Spike mas maior. 
- Precisas de um jardim para os cães. 
- E de quartos para os Totitos. 
- Sim - trocámos um beijo demorado, até que o interrompemos e fomos à procura do Spike. 
Ele andava escondido atrás do sofá, o que nos deu para tirar uma fotografia bem engraçada:

El Spike!! #Olé

O meu jeito para a cozinha é nenhum. E cada vez que a Ana está cá em casa, é como se a mamã viesse fazer o jantar. Ela cozinha super bem e tenta sempre que a minha alimentação seja equilibrada. 
Antes de irmos dormir ainda namorámos muito, o dia tinha sido cheio de provas de amor do David para mim, de mim para o David e tentei demonstrar isso também à Ana e sei que o consegui fazer porque ela diz-me e eu sinto que ela é a mulher mais feliz neste momento. 

Informações

Olá meninas!

Os últimos tempos têm sido atribulados para os nossos lado. Pensámos em desistir da fic, em acabá-la. As razões em nada têm a ver com o feedback que temos ou a nossa disponibilidade e vontade de escrever. Foram mesmo problemas entre nós que, agora, estão resolvidos.

Por isso!! O que tínhamos dito (que talvez fossem ler o último capitulo dentro de pouco tempo) deixou de fazer sentido. A fic irá continuar! 
Nós temos as ideias, temos a vontade, está tudo resolvido por isso só faz sentido que continuemos com esta história.

Pedimos desculpa por não publicarmos com tanta regularidade, mas cada uma de nós tem os seus projectos da escrita individuais, aulas, trabalho e fica complicado.

Esperemos que continuem desse lado e que não desistam da história porque nós também não!


Beijinhos e muitos abraços!
Ana & Rita

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Capitulo 32: "Podem dá um bechinho na boca?"


Ana:

Saí de casa com o David e, na pequena viagem de elevador até ao rés-do-chão, nada foi dito. Ele ia a brincar com o carro na porta do elevador e eu a ficar super nervosa! Era a primeira vez que eles iam estar juntos depois de o David ter dito que não gostava do Salvio. 
Assim que saímos do prédio o Salvio, que estava encostado no carro dele, desencostou-se e caminhou um pouco, mas nós é que fomos ter com ele. E nesse momento o David surpreendeu-me, como só ele o sabe fazer. 
- Toto, esculpa eu ter potado mal. Eu chou o David e gosto um petadinho mais de ti - olhei para o Salvio, que me sorriu e baixou-se, ficando mais ou menos da altura do Dádá. 
- Tu és um menino muito especial. Eu gosto de ti e não vou fazer mal à tua prima - o Salvio lá falou no seu português meio arranhado. Senti-me a enfraquecer...por dentro. Ter o David a aceitar o Salvio nas nossas vidas, é a cereja no topo do bolo para os últimos tempos que tenho vivido. 
Baixei-me também ficando ao lado do David. 
- A prima gosta cada vez mais de ti Dádá - dei-lhe um beijinhos na bochecha. 
- Pima, achim o Toto fica com chiume! - rimos feitos uns doidos com a saída do David, que deu a sua maravilhosa gargalhada - vamos pachear onde?
- É surpresa! - disse o Salvio, pegando nele ao colo. Eu coloquei-me ao lado deles e o David olhou para mim, e depois para o Salvio. 
- Voches são da mesma atura. 
- Quase...a prima é mais pequenina - disse.
- Podem dá um bechinho na boca?
- Tu queres que eu dê um beijinho à Ana? - o Salvio fazia um esforço imenso para falar correctamente português, para que o David percebesse tudo o que ele lhe dizia.
- Chim. A mamã e o papá Gomas também dão. E voches chão namoados também têm de da bechinhos na boca.
O Salvio olhou para mim, a rir-se. O David também me olhou fazendo beicinho. 
- Não entendo porque é que queres que nós demos um beijo, David Simão!
- Pima...é pa ser a sherio. 
- Ai é?
- Shim - aproximei-me mais um pouco do Salvio, dando-lhe um beijo. O David riu-se que nem um perdido e quando afastei os meus lábios dos do Salvio, também nós nos rimos - ponto, agoa é a sherio.
- Antes não era?
- Era difente. 
- Vamos, mas é embora que está a ficar tarde.
- Mas ainda é dia! - o David...sempre com o poder de nos fazer rir, mesmo que estejamos a ter um dia de porcaria. 
Abri a porta do banco de trás, onde já estava a cadeirinha do menino. O Salvio colocou-o lá e não precisou de ajuda para o prender. O que me deixou babada. Ele sabia como colocar um bebé em segurança num carro. 
Depois de o David estar na cadeira, fechei a porta e fomos para os lugares da frente. O Salvio a conduzir e eu ao lado. 
Assim que ele começou a conduzir o carro o David começou as perguntas:
- Como é que meteam a minha cadeiinha aqui?
- Foi antes de te ir buscar. A cadeira estava no carro da mamã e a prima tinha as chaves. 
- E o Shalvio shabe por eu aqui. 
- Pois sabe... - olhei para ele que sorria. 
- Shalvio?
- Sim David?
- Tu não vas facher a pima choar?
- Não David.
- E voches podem da-me um pimo? - o Salvio olhou para mim meio atrapalhado, meio envergonhado - eu pedi à pima no Natal, mas ela tava com o Godigo e agoa tá contigo, teno de pedi a ti. 
- Ainda é muito cedo David, mas daqui a uns tempos podemos pensar em dar-te um primo - respondeu o Salvio...e o meu coração disparou ultrapassando a barreira dos mil. 
- No Natal pocho pedi?
- Talvez. 
- Obigado. Onde é que famos?
- É surpresa! - respondi-lhe. 
- Tá bom. 
Seguimos o resto da viagem sempre a conversar. Iriamos ao Jardim Zoológico com o menino. Já lá tinha ido ainda era pequeno, não se devia lembrar muito bem, mas agora que já tem noção dos nomes dos animais é mais que bom para ele lá ir. 
Assim que chegámos fui levantar os bilhetes e entrámos no recinto os três. Eu levava o carrinho do David, ele podia ficar cansado durante o dia de tanto andar, mas ele ia ao colo do Salvio.
- Salvio quando ele te estiver a cansar mete-o no chão. 
- Tudo bien corazón! 
- Shalvio...eu ashim não entendo!
- Desculpa David. Eu prometo que falo sempre em português contigo.
- E vamos ver os animais todos hoje?
- Vamos sim! - respondi-lhe - Gostaste da ideia pequeno da prima?
- Sim pima! Há cá dinosaros?
- Não Dádá. Os dinossauros já não existem, só em bonecos. 
- Ah! E dagrões como no potro?
- Também não David. Esses também não há - respondeu-lhe o Salvio. 
- Então o que é que famos ve?
- Há aqui girafas, elefantes - comecei. 
- Golfinhos, hipopotamos, cobras, leões - acrescentou o Salvio.
- E a águia do Fenfica?
- A águia do Benfica não, mas há uma parecida. 
- E vamos ver o que pimeiro? - perguntou ele curioso. 
- Os leões e os leões bebés, porque depois temos de ir ver o espectáculo dos golfinhos. 
- Shim! Os gofinhos tão na água?
- Sim, Dádá. 
Iniciámos a nossa visita por ir ver os leões. O David adorou. Imitou-os e ainda lhes queria dar um briquedo dele, óbvio que não deu porque se apercebeu de que ia ficar sem ele. 
Antes de entrarmos para o espectáculo dos golfinhos, sentámo-nos num banco para que o Dádá bebe-se água. Ele e o Salvio iam falando cada vez mais. E sempre com dois sorrisos lindos nos lábios. 
Lá entrámos para o aquário dos golfinhos e sentámo-nos nas bancadas para ver. Algumas pessoas pediram autógrafos ao Salvio mas, estando ali a maior parte famílias, devem ter compreendido que queríamos o nosso espaço e pararam pouco depois. 
- Pima, fata muito?
- Não, mais dois minutos e começam. 
- Tá. Shalvio, poque que as pissoas pedem pa tu escreveres na folha?
- Como eu jogo no Benfica, as pessoas conhecem-me e querem uma recordação. 
- Se eu fo joar pó Fenfica também pedem a mim?
- Pedem sim. Tu queres ir jogar no Benfica?
- Não shei. Mas é giro!
- O Salvio e o papá André têm de te ensinar umas coisas! - sugeri. 
- Enshinavas-me? - perguntou o David super contente ao Salvio. 
- Claro que sim. 
- Obigada Toto.
- De nada Dádá - e nisto começa o espectáculo.
- Shalvio, posho ir pás tuas penas ve meor?
- Claro! - o Salvio pegou nele, colocando-o nas suas pernas e eu aproximei-me mais dele.
O Salvio olhou para mim e vi perfeitamente nos olhos dele que estava feliz. Decidi falar com ele em espanhol, até para termos um momento sem o David perceber. 
- Está a ser tão bom que ele já esteja assim contigo.
- O teu primo é o pequeno mais amoroso que já conheci! E ter-me pedido desculpa quando chegou perto de mim...é um homenzinho.
- E quer um primo...
- Havemos de tratar dele - aproximei-me dele, dando-lhe um beijo discreto. Estávamos ao pé do David e de mais não sei quantas pessoas.
- Foces ashim não veem os gofinhos - disse o David, como que nos chamando à atenção - e poque é que tavam a fala estanho?
- Porque a prima quis dizer uma coisa ao Salvio sem tu perceberes. 
- É segedro?
- Sim, mas depois tu sabes. 
- Tá - ficámos todos a ver os golfinhos e foi simplesmente mágico. 
Se, por si só o espectáculo é maravilhoso, a ligação entre o Salvio e o David está a crescer. E está a ficar tão bonita. O David pergunta-lhe as coisas que não entende e o Salvio esforça-se imenso para lhe responder mesmo que não seja na sua língua. 
Quando o espectáculo estava a terminar, chegaram as focas. E, como sempre, há duas que vêm até ao público e uma estava mesmo ao pé de nós. 
- Pima, eu teno medo! - disse ele querendo vir para o meu colo. 
- David, não fazem mal, amor - ia a pegar nele, mas o Salvio deixou-o ficar no seu colo.
- David, elas só te querem dar um beijinho e que tu lhes dês um beijinho também.
- Mas elas são gandes!
- Mas não te fazem mal nenhum. Faz só uma festinha - a foca já estava à frente dele e o David lá esticou a mão para lhe dar uma festinha. 
- Ta moiada. 
- Ela estava na água Dádá - disse-lhe colocando-lhe a mão nas costas, para ele saber que também eu estava a seu lado neste passinho dele.
- Queres dar-lhe um beijinho? - perguntou a tratadora. 
- Eu não shei...
- Mas olha que ela quer dar-te um beijinho. Ela pode? - voltou a perguntar. 
- Shim... - ele agarrou-se com força ao braço do Salvio, puxava-lhe mesmo a camisola e queria aconchegar-se nele como faz comigo ou com a Rita quando tem medo. 
A foca lá se aproximou dele e deu-lhe um beijinho na bochecha. O David desmanchou-se a rir:
- Faz coquinhas.
- Vês? Não tens de ter medo amor - disse-lhe dando-lhe um beijo na cabeça.
- Agora queres dar-lhe tu um beijinho? - perguntou o Salvio. 
- Dás comigo?
- Dou - o Salvio aproximou-se da foca com o David e ambos lhe deram um beijinho ao mesmo tempo - sabe a pexe! Sabe mal! 
Todos nos rimos e a foca foi embora. 
- Obigada po me ajudares Toto - disse ele dando um beijinho na bochecha do Salvio. 
- De nada pequeno! - o Salvio também lhe deu um beijinho na bochecha...estou completamente derretida com estes dois homens na minha vida, mas decidi picá-los. 
- Eu acho que vou começar a ter ciúmes dos dois! - o David olhou para mim e puxou-me pelo braço fazendo com que ficasse mesmo junto a eles. 
Ele deu-me um beijinho na boca, como era sempre entre nós. 
- O meu já tá! Aora fata o do Toto - olhei para o Salvio que me puxou pelo braço que tinha livre. Colocou a sua mão no fundo das minhas costas e deu-me um beijo completamente apaixonado. Estava a precisar, era um dia perfeito, estava a ser perfeito e eles simplesmente me deixavam a mulher mais feliz à face da terra.
- Pima já chega, vais ficar sem repirar! - disse ele afastando-me do Salvio. 
Ambos nos rimos e acabámos por sair do recinto dos golfinhos. Estava a chegar a hora de almoço.
Fomos para umas mesas de piquenique e almoçámos os três. Pouco depois de acabar o seu comer, o David quis deitar-se no meu colo...era a sesta. Estava habituado a dormir a sesta, nem que fosse uma hora. Acabou por adormecer e eu coloquei-o no carrinho. Sempre ficava melhor. 
Deixei-o pertinho de mim, mas aproximei-me do Salvio...era altura para namorar um bocadinho. Coloquei-me de frente para ele, rodeando a sua cintura com os meus braços e ele a minha cintura com os braços dele. 
- Está a ser tão maravilhoso estar aqui com vocês - comecei. 
- Tens toda a razão. O David é simplesmente maravilhoso. 
- E já se dá tão bem contigo. 
- Estou a fazer os possíveis para o conquistar. 
- Acho que já o fizeste, Toto.
- O teu olhar está tão brilhante...
- Estou tão feliz que nem sabes. 
- Acredito - trocámos um beijo demorado. Um momento nosso, sem pensar que estava gente por perto e simplesmente desfrutámos um do outro. 
Como o David estava a dormir e ainda demoraria a acordar, aproveitámos para passear pelas sombras do zoo. Aproveitámos também para namorar e tornar aquele ainda mais perfeito. 
Quando o David acordou fomos ver os animais. Passámos pelas girafas, os elefantes e todos os outros. O David só queria ver mais e mais, o que deu para ver muitos animais. Eram cerca das cinco da tarde quando saímos do jardim zoológico e fomos para casa. 
Estava cansada, mas tinha sido um dia perfeito e não me canso de o repetir. 
Durante todo o caminho até casa o David ia falando, no que ia contar à mãe e ao André. Que animais tinha visto, que tinha dado um beijinho a uma foca com a ajuda do Salvio, que tinha dado de comer à águia prima da do Benfica, era assim. Foi assim todo o caminho. 
Quando chegámos ao prédio do André, retirei o menino do carro, dando-lhe a mão. O Salvio juntou-se a nós e o David também lhe quis dar a mão. Subimos até ao andar do André e, como ainda tinha as chaves, entrámos.
- A mamã? - perguntou o David. "Piolho...o mais normal é estar a matar saudades do papá André" - pensei para comigo mesma. 
- Ela deve estar por aí - respondi-lhe - não queres comer nada?
- Não, vou ter com a mamã para lhe conta! E ao papá Gomas - num instante o David desapareceu, correndo na direcção do quarto do André.
- A Rita deve estar com o André - disse o Salvio. Olhámos um para o outro e fomos a correr atrás do David. 
O cenário era o que eu esperava...a Rita e o André em vias de facto e o filho dela a chamá-los perguntando-lhes o porque de estarem um em cima do outro....despido. Pedi-lhes desculpa, isto não era suposto ter acontecido.
- Dádá, anda que o Salvio explica-te - o Salvio falou e o David foi com ele para a sala. 
- Vocês arranjem-se e venham ajudar a resolver a situação! - fechei a porta e fui atrás do Salvio.
Explicar  a uma criança de quase três anos o que é que a mãe dele estava a fazer na cama com o André...ai meu Deus. Isto ninguém me ensinou a fazer! Como é que se faz?

Como irão explicar a David o que se passa?
Irá o menino compreender e ter umas saídas dele?

Olá meninas!
Pedimos imensa desculpa por estarmos à muito tempo sem dar novidades, mas as coisas não andam lá muito bem e estarão a acompanhar os últimos capítulos desta história.
Contudo, tudo faremos para vos dar aquilo que merecem por estarem sempre desse lado.
Beijinhos.
Ana e Rita.

sábado, 7 de dezembro de 2013

Capítulo 31: “O que táx a faze em cima da mãmã?”


(André)

Ainda não me tinha habituado a dormir sozinho confesso, passei anos assim mas passei durante mês e meio a dormir ao lado do David e parece que ainda hoje o sinto perto de mim. E sentir aquela mão a tocar-me era estranha, conhecia muito bem aquele toque há precisamente 19 anos, era da minha... Namorada. Não, não podia ser. Era um sonho! Até que senti um pontapé na minha barriga, o David é super-irrequieto a dormir, mas aquele pontapé não era um sonho, dói-me a barriga e os sonhos não são tão realistas. Quis tornar consciência da realidade, afastei aquele pequenino pé e confirmava-se, era o David que estava ali. Mas quando eu tinha adormecido ele não estava ali e não podia ter sido a Ana a trazê-lo, ela veio comigo no avião e embora eu não saiba as horas tenho a certeza que não teve tempo de ir buscá-lo e deitá-lo ao meu lado. Peguei na mão que estava sobre o meu corpo e coloquei a minha sobre ela e pude sentir que não era um sonho. Abri os olhos.
Era a Rita e o David. Sorri, eles estavam ali ao pé de mim e não precisava de nada mais. Dei um pequeno toque ao David e um beijinho na testa. Aqueles caracoliquinhos divertidos tinham-lhe pregado uma partida, estava mesmo um no meio da sua testa, eu afastei-o e dei um beijo. Sussurrei:

-Bom dia filhote! – Disse ainda com a voz rouca. Ele coçou o olho e abriu-o embora devagarinho e sorriu.

-Pápá Gomas. – Disse apertando os braços ao meu pescoço. –Táx bem? Ontem tavax no chão a choa, eu vi! A mãmã também choou, mas não che magoou como tu!

-Fiz um dói-dói mas estou bem, logo tenho de ir ao médico, mas já só doi um bocadinho. – Sorri, na realidade doi-a bastante mas não lhe ia dizer para não o deixar preocupado. – A mãmã chorou preocupada... Comigo?

-Chim. Ela dixe depoix de te ve a choa que quia vota paqui! Queles que a acode e pegunte?

-Não, deixa a mãmã descansar. Depois ela acorda – Tocaram á campainha. – Vou abrir a porta mas preciso que fiques aqui a toma conta da mãmã mas não faças barulho, deixa-a dormir, eu já volto! Não a deixes sair do quarto!

-Tá bem! – Fui até á porta e era a Ana.

-Bom dia! –Disse a minha “priminha”– Como estás? – Perguntou.

-Estou a recuperar, ontem foi bem pior. Obrigado – Confessei. – Vieste por algum motivo em especial Ana? – Perguntei direto.

-Vim buscar o David, para passar o dia comigo... E com o Eduardo.. – Respondeu, bem esta não contava. O David não gostou do Salvio e estava reticente em deixá-lo ir, ia com a prima e eu não sou o pai, mas sou em parte responsável por ele.

-Não sei se será boa ideia... – Disse e não me deixaram acabar a frase.

-A Ana sabe o que faz e o Salvio é boa pessoa, confio neles e se for preciso estamos aqui em casa. – Aquela voz... Era da Rita. Tinha saido do quarto e trazia ao seu colo o menino.

-Deixa chó i busca os binquedos! – Disse o Dádá.
Acomodei-a no sofá da sala e fui preparar algo para o nosso pequeno-almoço, para mim, para o David e para a Rita. Depois do menino tomar banho e vestir-se, tomou o pequeno-almoço que tinha preparado e despediu-se de mim e da mãe e foi entretido com ela. Fiquei sozinho em casa com a Rita. Já tinhamos tomado o pequeno-almoço e arrumavamos a cozinha, durante a refeição não trocamos uma palavra. Até que decidi arriscar:

-Rita. – Ela olhou-me e pela primeira vez naquele dia trocamos olhares.

-André. – Olhou para mim e eu vi o arrependimento no seu olhar. Não sabia o que dizer. – Desculpa-me. – Baixou o rosto.

-Anda cá, pequenina. – Estiquei os meus braços para ela me poder abraçar. Ela levantou-se e obedeceu-me. Senti-me reconfortado, sentia-me feliz como nunca naquele mês e meio, senti-me genuinamente feliz e bem, arriscava-me a dizer completo. –Podes chorar se quiseres, vai-te fazer bem deitares cá para fora todos os teus sentimentos e quando estiveres pronta falas. E se te custar menos fala comigo enquanto teu melhor amigo e não enquanto teu namorado. – Ela abraçou-me mais fortemente e não me respondeu. As suas mãos estavam nas minhas costas e as minhas nas dela. Peguei-lhe ao colo e levei-a até ao quarto. Sentei-me na cama e encostei as minhas costas ao móvel e estiquei as minhas pernas, ela aconchegou-se ao meu peito e chorou, chorou. Era um choro que me deixava aflito, queria poder ajudá-la mas sentia que se abrisse a boca, ela ficaria pior. Chorou bastante até se acalmar, até parar com os soluços das lágrimas. Não lhe disse nada, sabia que iria piorar a situação e ela acalmar-se-ia apenas a deitar cá para chora tudo o que sentia.
-André. – Olhei para ela, mas ela não teve coragem para me olhar também. – Nem sei por onde começar, as palavras são tão poucas e o que tenho para te dizer é tanto. Tu és o meu melhor amigo e eu vou contar-te a história do meu namorado, talvez assim seja mais fácil para mim. – Sorri, talvez fosse mesmo mais fácil para ela e para mim. –Eu conheço o André há dezanove anos e somos melhores amigos desde sempre, ele é o meu melhor amigo como tu, tem o mesmo nome e tudo devias conhecê-lo! – Sorrimos. Era incrível a forma como ela lidava com a vida. – Mas depois de eu ser mãe, ele veio para Lisboa lutar por uma carreira no futebol no Benfica, e afastamo-nos. Demasiado tempo na verdade. E ouve um dia que ele apareceu cá em casa por causa da minha prima e foi nesse dia do reencontro que vi que os meus sentimentos tinham mudado, mas ainda não sabia ao certo para o quê. Demos o primeiro beijo e apesar de ter sabido a pouco trouxe-me tantos sentimentos e dúvidas para a minha cabeça! Ele despertou em mim sentimentos mais... De mulher entendes? – Sorri. – Comecei a reparar no seu porte físico, na sua beleza, no seu charme, na sua barba que me picava mas derretia. Os sentimentos foram evoluindo e tornando claros na minha cabeça, o que o meu coração sabia desde cedo. Não, desde criança, na realidade nunca tinha pensado apaixonar-me por ele, mas desde que o revi. Desde o primeiro olhar, amor que foi construído com o tempo e atitudes. Eu pedi um tempo e espaço para pensar no que senti, e um dia ás três da manhã fui ter com ele e declarei-me. Foi a primeira vez que fiz amor com ele e senti-me completa a fazê-lo como nunca senti das outras vezes. No dia a seguir começamos a namorar e eu fiquei nas nuvens. Foi um dos dias mais felizes da minha vida quando começamos a namorar e a noite anterior foi inesquecível. Mas como a vida não é como queremos, fui despedida. E uns dias depois eu tomei a decisão de voltar para o norte. Ao inicio era só uma questão temporária, ia lutar pela custódia do David, mas arranjei emprego e decidi ficar por lá. Quantas vezes pensei em voltar e estar ao teu lado. – Pela primeira vez falava em mim enquanto namorado e não enquanto melhor amigo. Era um discurso direto. – E quando te vi no chão, a chorar, magoado, eu soube que não te queria, nem ia perder. O medo que eu tive de te perder, de me sentir responsável por isso mesmo, fez-me ter a certeza que queria voltar. Posso estar longe da minha família, mas tenho-te a ti, á Ana e ao David. Sei que enquanto não arranjar emprego, vocês me ajudam com o menino. Porque sei que é junto a vocês mas precisamente de ti que eu e o David queremos estar. Compreendo que já não querias ser meu namorado... – Não a deixei terminar a frase e coloquei um dedo sobre os seus lábios e olhamo-nos. Não queria deixá-la terminar e quando ela abria a boca para responder, eu calei-a. Beijei-a como se precisasse daquele beijo para sobreviver. Foi um beijo calmo, com luxuria, com saudade, deixamos demonstrar o mais puro dos sentimentos que nutríamos um pelo outro. Separamos os nossos lábios e ficamos frente a frente, a milímetros, toquei com o meu nariz no seu e os nossos olhares estavam próximos, “chocavam”.

-Não te quero perder por nada pequenina. Não voltes a dizer uma coisa dessas por favor! – Pedi com suplica. – Tu quiseste optar, tu sentiste que tinhas de o fazer. O David é o teu filho e no teu lugar eu teria feito o mesmo. – Vi um sorriso formar-se na cara. – Mas esqueceste-te de algo importante Rita, eu também sou teu amigo, o teu melhor amigo. Tu não abandonaste o teu namorado, abandonaste um amigo. Estarei a teu lado em qualquer altura, porque te amo. A ti e ao David. Amo-vos como se fossem minha família de sangue e vocês são a minha família, é convosco que vou criar o meu futuro e estou a criar o presente. Não te vou mentir e dizer que não me magoaste nem desiludiste, porque o fizeste. – Ela ia desviar o olhar mas eu coloquei as minhas mãos sobre a sua bochecha e fi-la olhar para mim. – Mas tu estás arrependida, eu sei, conheço-te, vi no teu olhar e sinto. Sei que não o farás e agora estás aqui do meu lado, na condição não só de amiga, como de namorada e me prometeste que não sairias de junto de mim. E eu amo-te, a ti e ao Dádá, amo-o como filho, como se fosse meu, eu ajudo a educá-lo, a mimá-lo, irei ajudar-te, se tu me deixares. Mas eu sinto que não é isso, penso que já te provei que quero ser um padrasto e estar presente na vida dele e na tua, sinto que não é isso que te incomoda, por favor fala comigo. – Ela virou o olhar e olhou para o horizonte, depois olhou para mim e sorriu. Confessou-me:

-Tenho medo. – Fez-se um silêncio que vinha com perguntas, ás quais não tinha resposta.

-Medo. Mas medo de quê? – Podia ser medo de tanta coisa. Medo do que sentia ou não por mim, medo do que eu sentia por ela. Tantos medos.

-Medo do que sinto por ti. É tão forte André, é tão... Bom e incrível. Mas é isso mesmo que me assusta. – Disse baixando o olhar. – Cada vez preciso mais de ti para mim, para conseguir superar o meu dia a dia, para sobreviver, para ser feliz. Não me chega só o David, eu preciso de ti! Eu amo-te André. E tenho medo de estar totalmente dependente de ti e que um dia a relação acabe e eu não saiba o que fazer e que o David pergunte por ti e eu não saiba o que dizer, não saiba dizer que tu já não és mais o pápá Gomas. Não sei se aguentaria isso. – Uma lágrima caiu-lhe pelo rosto. – Tenho medo que a nossa relação de amizade acabe, que o nosso amor morra, tenho medo que o meu futuro não seja do teu lado. – Nunca tinha ouvido uma dedicação de amor tão pura, tão genuína mas tão improvisada. Foi dita com o coração e não havia pessoa que me conhecesse melhor no mundo que ela. Deitei também duas lágrimas teimosas na minha face.

-Sinto o mesmo Rita. Eu nunca amei como te amo a ti e assusta-me, mas farei tudo para nunca vos perder, para vos ter sempre ao meu lado. Nunca vos irei perder, porque as relações de amor podem acabar mas as amizades, verdadeiras como a nossa não. Será sempre minha amiga e farei tudo para seres minha mulher e mãe dos meus filhos. Eu quero cuidar do David até aos meus últimos dias. Vocês neste momento são a minha vida! – Nós os dois já só choravamos a falar ou a ouvir o que se dizia.
Quando a Rita não consegue traduzir em palavras o que sente, beija-me  ou abraça-me, consoante o que achar mais adequado para a altura e para o sentimento que não sabia traduzir. E agora fê-lo, beijou-me. Foi um beijo como o anterior, calmo mas sentido. Traduziu o que ela não conseguia dizer por palavras e eu não sabia expressar. Aconcheguei-a nos meus braços depois daquele beijo e deixamo-nos ficar ali durante bastante tempo, eu respirava Rita, sentia o seu cheiro, o seu perfume, o seu toque, a sua presença, o seu sorriso e lembrava-me de todas as memórias que tinha da nossa vida, desde a infância até aos dias de hoje.

-André. – Hesitou. Tinha vergonha de perguntar alguma coisa, já a conhecia. – Tu queres casar? – Falar do futuro era andar um passo para a frente com ela. Sorri, de felicidade, ela queria construir O NOSSO plano para o futuro.

-Quero! Casar-me contigo e só contigo, mas primeiro quero namorar muito.

-Eu quero construir o nosso plano para o futuro. Preciso de saber o que queres também, preciso disso.

-Para mim não faz sentido casar-me pelo registo civil, se é para casar que seja pela igreja. Mas estou disposto a mudar conforme for o teu desejo porque não é a minha vida, é a nossa!

-Eu... Estou de acordo contigo. Sabes eu também tinha planos para o futuro com o Miguel, antes e depois do David, mas tudo morreu e era esse o medo que tinha contigo. – Confessou-me. – Mas contigo, eu sinto que é diferente. Está nos teus planos ser pai... Quer dizer depois do David é claro.

-Sim. Depois do David tenciono ser pai. Sempre pensei em dois/três, mas depois do David tive a certeza que quero três. O David tomará conta dos irmãos, um menino e uma menina. E tu? Está nos teus planos para o nosso futuro?

-Sim. Quero ter mais dois, sei que dão trabalho e se for como o David muito iremos sofrer! – Sorrimos. – Mas sei que tenho o melhor pai para eles! E o David toma conta da menina e do outro menino também! Quer dizer não escolhemos, mas eu gostava que assim fosse.. E nomes? Eu gosto de Mariana e Rafael, mas de tantos outros nomes.

Simão, não! Já tenho um cunhado com esse nome! E é o segundo nome do nosso pequeno, e David já há um por isso estão fora de questão. Também gosto de Catarina, mas sempre disse que se algum dia tivesse uma menina o primeiro nome seria Ana, até para honrar a minha prima e homenagear a minha avó. Meninos, só não quero ter um “André Júnior” cá por casa, isso não gosto...

-Ficaria uma confusão de nomes, estou de acordo! Mas Júnior no nome também não é grande ideia. Gostas de Ana Beatriz? – Perguntei. – Podíamos sempre tratá-la por Bia, e depois quando nos chateássemos usávamos os dois nomes.

-Gosto muito! – Disse ela sorrindo.

-Para menino: Rafael...

-Filipe! – Disse ela. – É o teu segundo nome e honrar-te-ia! – Sorri.

Falamos dos nossos planos para o futuro, sempre juntos, falamos dos nossos medos, dos nossos pensamentos e sentimentos. Foi bom, sentia que ela estava disposta a tentar o nosso futuro. Não demos pelo tempo passar, e já era tempo de almoço. Pensei em preparar algo rápido mas como a fome estava “negra”, precisava de repor forças. Por isso preparei empadão de peixe, a Rita adora e eu sinto-me sempre bem servido. A Ritinha recomendou-me ir ao médico, para ver o grau da sua lesão. Dei-lhe ouvidos e fomos até ao Caixa Futebol Campus, fi-la acompanhar-me. E era o que se suspeitava. Uma paragem entre duas e quatro semanas. Iria afastar-me da equipa e dos planos do treinador, era difícil mais tarde regressar mas iria lutar, desta vez tinha-a a ela e ao David do meu lado. Regressamos para casa e começamos a namorar, a apreciar a boa companhia um do outro. Não sabiamos a que horas regressava a Ana, o Salvio e o menino, mas ainda deviam demorar. Pelo menos assim esperava.
Entre brincadeira, peguei-a ao colo e levei-a até ao quarto, ela queria, tinha sido ela a sugerir-me irmos até lá, gostava que ela se tivesse “solto” para mim, gostava daquele lado mais provocatório dela, o seu lado mais á vontade enquanto namorada. Deitei-a e ela escondeu-se sobre os lençóis e eu fiz-lhe companhia, a temperatura não era agradável, era um mês de Fevereiro e era o mais certo para nenhum dos dois ficar doente. Começamo-nos a beijar enquanto nos despíamos, sempre apaixonados e cientes do que fazíamos, tínhamos morto saudades das nossas ternuras e carinhos, mas também daqueles momentos mais “quentes”, iríamos matar saudades dos nossos corpos unidos. Estávamos já em fase de preliminares, apenas em roupa interior, o corpo dela estava sobre o colchão e eu conseguia admirá-lo, o quanto eu gostava dele, daquele corpo, daquela menina com corpo de mulher. Do quanto eu a queria só para mim, e por um momento ser egoísta e tê-la só para mim. Estava a beijar-lhe o pescoço, preparando a minha última investida. Tirar-lhe o soutien enquanto lhe beijava o rosto, ela tinha as mãos agarradas ás minhas costas. Mas ouvimos a porta a abrir atrás de nós e uma voz reguila dizer:

-Dê! – Exclamou admirado. – O que táx a faze em cima da mãmã? – Tinha sido totalmente apanhado desprevinido. Não contava e nem tinha pensado que tal aconteceria, em qualquer pensamento. Não tinha sido por falta de preocupação e prevenção, até tinha encostado a porta do quarto para evitar isso mesmo, mas aquele menino tem o dom de surpreender.
A Ana e o Salvio apareceram enquanto o menino olhava para nós e dizia o meu nome. Não sabiam o que fazer e muito menos o que pensar, eles sabiam o que iamos fazer mas não esperavam ver-nos assim. A Ana pediu “desculpa” com os lábios e eu continuava sem reação. Senti as mãos da Rita me empurrar para o lado dela e assim fiquei, sentei-me e deixei a manta cair, sendo visível o meu corpo enquanto a Rita tapava o peito.

-Vochês tão chem roupa? – Perguntou admirado. E nós não tinhamos mesmo resposta para ele. Como explicava a uma criança de dois anos que a mãe e o namorado iam fazer amor?

Como será que se safam desta “trapalhada”?
     Será que é desta que conseguem ser felizes? E iram realizar os seus planos para o futuro?

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Capitulo 30 - «Eu não goto dele! Ewe fala mal»


(Ana)

O novo ano veio cheio de esperança para mim. Esperança em dias melhores, em coisas boas para a minha prima, em coisas muito boas para mim e para o Salvio. 
Chamo-lhe Salvio, no dia a dia. Chamo-lhe Toto, quando estou com receio de lhe perguntar algo. Chamo-lhe Eduardo, quando o assunto é mais sério ou nem por isso. Tem sido difícil conciliar tudo. O afastamento da Rita trouxe algo à minha vida que nem eu sei explicar. 
Sozinha, não conseguia tomar conta do David e, por isso, fomos viver temporariamente com o André. Quando não estava eu, estava ele e vice-versa. Poderia ter sido com o Salvio, mas o David não gosta lá muito dele...outro problema.
Pensei que, contando tudo ao menino, ele iria aceitar melhor o Salvio na minha/nossa vida. Mas não...nunca lhe dirigiu a palavra, resmunga comigo porque quer estar com o Rodrigo e, ultimamente, nem me fala. 
Há noites em que o André fica sozinho com o David para eu estar um pouco com o Salvio. Quando estamos juntos eu não quero pensar em mais nada. Só quero o mimo dele e dar-lhe o meu. Pode parecer egoísmo ..mas é mesmo necessário caso contrário dou em louca. Ele, sabendo de tudo o que se passa, deixa-me ficar apenas nos braços dele a descansar e trocando alguns carinhos. Estamos bem os dois juntos, sem pressão do exterior, com muita calma, até porque a questão de o David não gostar dele incomoda-me. 

Recordação:

Numa bonita manha de Janeiro, Ana começa mais um dia de trabalho. Sentia-se cansada. Tivera quase a noite toda acordada a pensar como iria apresentar Salvio a David. O menino perguntava-lhe por Rodrigo e Ana não sabia ao certo o que responder. 
Estava Ana a trabalhar na recepção do Caixa, quando entra o seu companheiro. Ainda não se apelidavam de namorados...não usavam rótulos por ser tudo muito recente.
- Buenos dias, preciosa - disse-lhe Salvio, ao chegar ao balcão.
- Buenos dias, mi hombre - ambos sabiam que não se podiam beijar naquele lugar. Não hoje, nem daqui a uma semana. Ambos queriam manter a relação dos dois longe dos olhares do local de trabalho. Alguns colegas sabiam. Rodrigo e Ezequiel, pelo menos.
Para se cumprimentarem, mexiam na mão um do outro e trocavam os tipicos olhares de bons-dias.
- Pareces cansada.
- Dormi muito pouco.
- Então?
- Estive a pensar...em conheceres o David. 
- Sabes que não é preciso pressa nenhuma. 
- Sim...mas ele só me pergunta pelo Rodrigo e tu é que és o homem na minha vida agora.
- Quando estiveres pronta e souberes o que fazer, terei todo o gosto em conhecer o teu pequeno.
- Depois do teu treino falamos melhor, sim?
- Claro. Bom trabalho.
- Bom treino, meu amor - Salvio beija-lhe a mão e dirige-se para os balneários, enquanto Ana fica a fazer o seu trabalho. 

Mais tarde naquele dia:
Ana decidira que era dia de apresentar Salvio a David. Iriam aproveitar o fim do dia para isso. André ia buscar David ao infantário e levava o menino para casa. Enquanto isso, Ana preparava um jantar, com Salvio, em casa de André para quando eles chegassem. 
Estava ansiosa, reciosa, mas ao mesmo tempo sabia que o tinha de fazer porque Salvio era demasiado importante para não o incorporar na sua vida inteira. Tudo estava feito: jantar terminado, mesa posta e ainda uma sobremesa deliciosa esperando David. Ana estava à janela, impaciente. 
- Nunca mais chegam... - Salvio aproximara-se dela, rodeando a cintura dela com os seus braços. Este gesto, que tantas vezes era feito, tranquilizava-a. Dava-lhe aquela sensação de protecção  que nunca quis ter, mas que adora sentir. 
- Tens de ter calma. Se o David não reagir bem, havemos de arranjar uma solução para isso.
- Queria que ele se desse bem contigo. Como se dá com o André. Sei que é diferente, porque o André está a ser quase pai dele, mas tu...
- Eu farei de tudo para que ele me aceite na vida dele, sendo a pessoa que está com a prima dele.
Ana vira-se para Salvio, queria encará-lo para ver o que lhe ia no rosto. Encontrou um sorriso que a tranquilizou. 
- Como é que estás tão calmo?
- Acredita que não estou. Sei o quão importante isto é para ti e tenho medo do que o menino pense, mas sei que vamos fazer algo para que ele nos aceite aos dois.
- Mas tens de estar preparado. Ele vai fazer imensas perguntas, pode mandar uma boca mais descuidada... - Ana falava tão rápido que Salvio só a conseguiu calar com um beijo. Ambos o prolongaram, mas foram interrompidos pelo barulho da porta a fechar. 
De imediato, Ana afastou-se e esperou a chegada do seu primo à sala, impaciente. 
- Pima! - o menino avançava na direcção de Ana e, ao olhar para Salvio, correu para as pernas da prima e manteve-se lá agarrado - quem é ewe?
- David, a prima tem uma coisa para te dizer. 
- Eu vou deixar-vos aos três sozinhos - informou André que, de imediato, saiu da sala. Ficaram apenas Ana, Salvio e David. Ana sentou-se com o primo no sofá, colocando-o no seu colo e pediu a Salvio que se senta-se ao lado dela.
- David, para o mês que vem fazes três aninhos e tu já percebes muita coisa dos crescidos, não é?
- Chim.
- Então percebes que a prima, como outra rapariga qualquer, pode mudar de namorado. 
- Ewe é teu namoado? O Godigo!? - o menino ia a sair do colo de Ana, mas ela impede que ele o faça. 
- David...eu sei que gostas muito do Rodrigo. Mas...nós já não somos namorados...nunca fomos a serio. 
- Poque?
- Porque ele gostava de outra menina e eu de outro menino, mas gostamos muito um do outro.
- Mas não podes gostar de tantos!
- E não gosto...o Rodrigo é meu amigo, eu gosto muito dele como meu amigo, como gosto do Gomas, percebes?
- Acho que chim. E dewe? Como é que gostas? - perspicaz como sempre, David aponta para Salvio.
- A prima gosta do Salvio como gostava do Roberto. 
- Mas ewe fez choar a pima. 
- Isso foi porque ele foi embora.
- E ewe não vai?
- Não...por agora não - Salvio responde, em espanhol. David olha para ele, que sorria. Parecia que se ia dar alguma coisa entre os dois, mas...revelou-se ser o contrário.
- Tu gostas mais dele do que de mim? 
- É um gostar diferente. Eu e o Salvio gostamos muito um do outro com o coração e eu gosto muito de ti com o meu coração porque és o meu pequenino.
- E ewe é o que?
- Ele está com a prima.
- Namoado?
- Quase.
- Eu não goto dele! Ewe fala mal - David sai do colo da prima - eu quewo que namoes com o Godigo - o pequeno sai da sala, deixando Ana sem outra reacção a não ser deixar escapar uma lágrima. 
- Ei...estamos assim porque?
- Salvio...ele é um menino com uma personalidade difícil  Vai ser difícil que ele mude. Já com o Roberto foi o mesmo. Acho que se apegou demasiado a mim e não me quer ver com muitos rapazes.
- Vais ver que ele acabará por ceder. 
- Estou para ver é como vai correr o jantar. 
- Temos de agir com tranquilidade.
- Temos de tentar...
Ficaram os dois algum tempo sozinhos, até que aparece André que tenta chamar David para se juntar a eles. O menino não o fez e, só quando foi a hora de jantar, é que se juntou à prima, a Salvio e a André. 
O jantar foi difícil  O menino quis ficar ao pé de André e não falava com Ana. Salvio ainda tentou meter conversa com ele, mas sem sucesso. 

RECORDAÇÃO OFF

Nem com explicações da parte do Rodrigo, ou da Rita, o David não aceitava o Salvio. 
A Rita...continuava em Grijó, há quase dois meses. Estamos em Fevereiro e ela desde o inicio do ano que lá está. Primeiro porque foi tratar da custódia do filho e depois porque...quis ficar lá a trabalhar. Não a entendi...o André sempre a quis ajudar, eu também a consigo ajudar bem...mas ela, nunca quer depender de ninguém. 
Estamos a dia 13, amanhã é dia dos namorados e eu com uma pergunta em mãos desde ontem. O Salvio pediu-me em namoro. Pediu-me que o começasse a chamar de namorado, que ele me começasse a chamar de namorada e que não andássemos tanto às escondidas. 
Não lhe respondi...acabei por lhe dizer que ia pensar e quando dei por mim estava a dormir. Hoje...acordei e ele não estava cá. Tinha ido para a Alemanha com o Benfica para o jogo de amanhã com o Bayer Leverkusen. O André também tinha ido...e a minha missão começava.
Eu quero responder ao Salvio. Quero dizer-lhe o que realmente sinto. Mas para isso, tenho de estar cara a cara com ele. Sai de casa dele e fui até à do André. Peguei na mala de viagem e coloquei lá alguma roupa minha. Voltei a sair de casa e fui até ao meu apartamento e da Rita, haviam umas caixas que ela tinha cá deixado que tinham de ir para Grijó. 
Eu ia a Grijó. Ia lá deixar o David, o resto das coisas da Rita e depois...rumava para a Alemanha.
Fui até ao infantário do David e expliquei à educadora a situação. Ela acedeu ao meu pedido de o deixar sair e quando o menino chegou ao pé de mim não me falou...como já tem sido hábito. 
- Vou levar-te à tua mãe - disse-lhe um pouco fria...tive pena, mas precisava que ele me respeitasse e que me falasse, pelo menos. 
- Tá bem - dei-lhe a mão e levei-o até ao carro. Coloquei-o na cadeirinha e fiz-me à estrada - Pima?
- Diz, David?
- Vais leva-me à mamã poque não gosto do Toto?
- Agora chamas-lhe Toto?
- É o que os meninos chamam-lhe...
- Mas se não gostas dele...
- Pima?
- Sim?
- Tu gotas memo dele?
- Gosto muito David. 
- E ewe gota de ti?
- Há mais tempo que a prima. 
- E ewe não te faz chora?
- Não. Só lágrimas de alegria. 
- E dá-te pendas? E felores?
- Sim...já me deu.
- Pima? - estávamos a ter a típica conversa. ele pergunta, eu respondo.
- Sim...
- Tu vais ficar com ele?
- Eu estou com ele Dadá. 
- Mas...vocês domem juntos?
- Às vezes...a prima quando não está em casa do André está em casa do Salvio. 
- E poque é que vamos para a mamã?
- Porque a mãe pediu-me para te levar e...porque a prima tem de ir a um sitio.
- Onde?
- É longe.
- Mas onde?
- A prima vai ter com o Toto. 
- Mas ewe joga no Fenfica. 
- Sim. 
- E tá longe como o Gomas e o Godigo. 
- Pois está.
- Tu vais ter com ewe tão longe?
- Vou. 
- Poque?
- Porque amanhã é um dia especial e a prima tem que falar com o Salvio.
- Ewe faz anos?
- Não.
- Então é o que o dia?
- É o dia dos namorados.
- Pima...e se ewe for emboa?
- David, a prima gosta mesmo do Salvio e se tu gostasses dele ias deixar a prima muito feliz.
- Mas ewe não sabe falar.
- Ele é de uma língua diferente. É da Argentina. Tu és de Portugal e ele da Argentina.
- Tu falas como ele?
- Sim.
- Eu não goto. Não pecebo nada. 
- Então e se prometeres uma coisa à prima?
- O que?
- Que vais pensar com muito carinho e falar com a mamã, e quando eu voltar passas um dia comigo e com ele, prometes?
- Pode ser... - fiquei um pouco mais aliviada, mas não totalmente. 

A viagem foi longa e, quando chegámos a Grijó, o David estava a acordar. 
A Rita retirou-o do carro e ele despertou logo no colo da mãe. Eu levei as caixas para dentro de casa e, enquanto o David lanchava com a minha tia, a mãe da Rita, falei com ela na sala. 
- Rita...o David precisa de ti. Acho que também precisas dele. E precisas de mudar de atitude depressa  O André está a dar em maluco, ele gosta mesmo de ti.
- Eu estou a fazer o que é melhor para o David. 
- Não digo que não, mas não desperdices um amor. 
- Como é que vão as coisas com o Salvio? - ela desviou a conversa...como sempre o fazia. Eu já nem insistia. Se ela queria pensar, que pense.
- Vou ter com ele. 
- Hã?
- Vou agora para Leverkusen. Ele saiu hoje de casa sem a minha resposta ao pedido de namoro. 
- E o que lhe vais dizer? 
- A verdade. Quando regressar falo contigo que agora tenho de ir apanhar o avião - despedi-me dos dois e rumei em direcção ao aeroporto Sá Carneiro, no Porto. 

Cheguei a Leverkusen eram 21h30. Sabia perfeitamente o hotel onde é que os jogadores estavam. Tinha passado pela recepção a marcação da estadia deles, contudo, não fui para esse hotel. Fiquei perto, mas não queria que o Salvio me visse, se bem que a minha vontade era correr para os braços dele, mas queria surpreende-lo amanha, no jogo. 

No dia seguinte:
Acordei já eram 10h. Despachei-me e fui dar uma volta pela cidade até à hora do jogo. Não tinha dito nada a ninguém, queria mesmo surpreender o Salvio. Não queria que ele sentisse que não lhe dou provas do que sinto por ele, porque eu amo-o. Hoje, tenho essa certeza absoluta. Amo o meu Salvio. Amo o meu Eduardo Antonio Salvio.
O Salvio não jogou de inicio, nem entrou no decorrer da primeira parte. Mas o André tinha saído lesionado. Só espero que não seja nada de grave e que traga algo de positivo...para a Rita. Pode ser que lhe abra os olhos. 
Estava no intervalo e tinham ficado alguns jogadores a aquecer, entre eles estava o Salvio. Eu estava na primeira fila, mas ele não me tinha visto. O Rodrigo, que também estava lá no meio, esse tinha reparado em mim. Chamei-o e, já que estava por detrás do banco de suplentes do Bayer, acho que ele deve ter inventado uma desculpa qualquer para vir ter comigo.
- Que cê tá aqui a fazer?
- Preciso de falar com o Salvio...
- E não esperou que fossemos para Lisboa?
- Não dá Rodri...o Salvio fez-me uma pergunta e veio sem resposta.
- Já tinha notado que o cara não tava bem. 
- Mas ele disse alguma coisa?
- Não...mas tá pra baixo. 
- Eu preciso mesmo de falar com ele.
- Vou chamar ele pra vir aqui...calma, vem comigo - comecei a caminhar ao lado do Rodrigo, eu na bancada e ele na relva, até que chegámos ao pé de um segurança e, com um inglês surpreendente, o Rodrigo falou - ela está comigo - o segurança abriu a portinha de segurança e o Rodrigo levou-me para o túnel de acesso aos balneários e ao relvado - agora vou dizer a ele pra vir aqui. 
- Obrigada Rodrigo! - dei-lhe um abraço e ele saiu a correr. 
Esperei...alguns segundos até que o Salvio chegou ao túnel, também a correr.
- Tu? Que é que fazes aqui?
- É o que se chama uma...surpresa. 
- É uma surpresa mesmo. Porque não disseste que vinhas?
- Decidi tudo ontem de manha, quando reparei que te tinhas vindo embora sem resposta.
- Acordei cedo e tu estavas a dormir...não te queria acordar.
- E acabas-te por vir sem a minha resposta - aproximei-me dele, rodeando a sua cintura com os meus braços.
- Tens noção do sitio onde estás?
- Tenho... - disse, roçando o meu nariz no dele - Estou em pleno túnel de acesso ao relvado do estádio do Bayer, com o rapaz mais perfeito e maravilhoso à minha frente, o rapaz que a partir hoje chamo de namorado para sempre.
- O que é que acabaste de dizer? - ele sabia perfeitamente o que é que tinha dito, caso contrário não sorria daquela maneira.
- Eduardo, eu aceito ser a tua namorada. Estamos à dois meses juntos, sabemos coisas um do outro que basta um olhar para mudar tudo. Eu amo-te, meu Toto! - no mesmo instante em que acabei de falar, o Salvio beija-me, ali, sem qualquer problema, sem qualquer restrição. 
- Eu amo-te tanto, mulher da minha vida. Sabes perfeitamente que é a melhor coisa que me podias ter dado num dia como o de hoje.
- Daqui a um ano vais ter de te esforçar muito para celebrar este dia.
- Estás a imaginar eu e tu daqui a um ano?
- Imagino-me contigo para o resto da minha vida. A não ser que faças algo completamente estúpido e fora de série é que te deixo. 
- Eu amo-te tanto! 
- E eu a ti, meu amor - beijamo-nos mais uma vez. 
Era fácil, claro e pacifico falar com ele sobre o que sinto. As nossas conversas davam-me certezas, seguranças, tranquilidade e um à vontade gigante em estar com ele. O Salvio é o meu melhor confidente, o meu melhor amigo, o meu melhor apoio, a minha melhor metade. Sem dúvida nenhuma, tenho o homem da minha vida a meu lado. 
Antes que se juntasse ali muita gente, separamo-nos. O Salvio foi terminar o treino e eu voltei para a bancada. Até ao minuto 90 o meu coração não sossegou. Não sossegou enquanto adepta do Benfica, estar só 1-0 desde os 61 minutos não dá tranquilidade. Não sosseguei enquanto namorada. O Salvio entrou aos 58 minutos e cada vez que tocava na bola e fazia a magia dele deixava-me orgulhosa. Mas quando os alemães se aproximavam dele era um medo...mas tudo correu bem. O Salvio e toda a equipa aguentaram-se até ao fim e a eliminatória estava bem virada para o Benfica. Na Luz manda-mos nós e eles que se cuidem. 

Depois do jogo, o Benfica seguiu para Lisboa e eu fui com eles. O Salvio arranjou-me um buraquinho no avião e fui com ele.
Fiquei do seu lado...o que um jogador consegue fazer nos dias de hoje é impressionante, mas muito vantajoso para mim.
- O que é que fizeste para que eu viesse a teu lado?
- Era o Ezequiel que vinha aqui por isso...foi mais pacifico.
- Vinhas com ele?
- Vou sempre. Quer seja em avião ou em autocarro. 
- Vocês dão-se bem...
- Damos.
- É bom saber. Assim o meu melhor amigo e o meu namorado podem falar mal de mim à vontade. 
- Falar mal de ti? Nunca, minha pequena - dito isto, ele beija-me e só se ouviu um coro atrás de nós. Eram o Cardozo e o Lima, que espalharam a palavra e num instante tínhamos o plantel todo a mandar bocas e a equipa técnica a rir.
Ele estava à vontade, já eu demorei algum tempo para levar tudo na brincadeira...não é todos os dias que a minha vida privada com o senhor Eduardo é analisada e comentada em pleno avião. Fizeram montes de perguntas, do género há quanto tempo é que estávamos juntos?
Quando pensei que as coisas não podiam piorar, chega Jorge Jesus junto de nós. E agora é que as coisas se tornam sérias...o mister é meu padrinho de baptismo. É quase como um tio, é amigo de longa data dos meus pais e, quando eu nasci, decidiram dar-me este padrinho...que hoje me deve ir chatear a cabeça com uma palestra, tal e qual como fez quando namorava com o Roberto, só que em casa. Ninguém sabia da nossa proximidade, apenas o presidente e alguns membros da estrutura do Benfica e equipa técnica: 
- Menina Ana, o seu interesse pelos meus jogadores continua, estou a ver.
- Mister...estar em contacto com eles todos os dias é o que dá.
- E a menina, por acaso, estava a pensar contar-me quando? Já que isto dura à dois meses...eu deveria ser informado. 
- Um dia destes...eu peço desculpa, mas não queríamos que as coisas se soubessem logo.
- O mister não tá falando sério, Ana. Não ligue pra ele! - disse o Lima...o problema é que ele estava mesmo a falar a sério.
- Rodrigo José, como é que sabes que não estou a falar a sério? - o plantel todo se riu...quando alguém tratava o Lima por Rodrigo José era sempre a mesma risada. 
- Mister, não precisa falar meu nome assim. Mas que cê quer da garota? Ela namora ele faz um tempão e ninguém tá notando. O Toto tá na mesma marcando gol.
- Vamos ver se nos entendemos...eu preciso de estar atento a esta rapariga. Se o pai dela me fez padrinho dela à 19 anos tenho de assumir as minhas responsabilidades - ai...bonito. Agora é que toda a gente fica a saber. 
No avião ouviu-se o comentar de todos, ou porque não tinham entendido o que o mister tinha dito ou porque não estavam à espera desta revelação.
- O mister é teu padrinho? - perguntou o Salvio.
- É...
- Por isso, senhor Eduardo, veja lá o que é que faz com a minha afilhada. E tu vê o que me fazes ao jogador porque não é para o andares a cansar todas as noites. 
- Padrinho...a serio!? 
- É muito sério. 
- Tirem-me deste filme... - escondi a cara no braço do Salvio, que se ria. Agora todos sabiam que eu sou afilhada do treinador...a ver como é que tudo corre. 

Chegámos a Lisboa eram 04h00 e, fui para casa do Salvio. Iriamos dormir. Juntos, na mesma cama, como namorados. Ainda não me tinha envolvido sexualmente com ele. Não havia essa necessidade, acho eu. Os momentos em que estávamos juntos eram tão intensos por si só que nunca pensei realmente nisso. 
Óbvio que há dias em que estamos mais relaxados e com mais vontade de tocar um no outro, mas nunca avançámos. Quero faze-lo, mas quando se der, quando for uma coisa natural, sem pressionar nada.

No dia seguinte:
Era dia de estar com o David. A Rita estava de volta e, para ela resolver as cenas dela, nada melhor que passar o dia com o Dadá. Não criei expectativas nenhumas para o dia, não o queria fazer, sabia que o pequnino era esperto e que percebe as coisas como ninguém. 

Fomos buscá-lo a casa e, quando sai com ele do prédio e nos dirigimos para junto do carro do Salvio...o bebé da prima revelou ser um homenzinho.  

Como irá correr o dia para os três?
Irá David aproximar-se de Salvio?