sábado, 29 de dezembro de 2012

Capítulo 10: Its All Coming Back


(Ana)


Não podíamos ter tido mais pontaria, o tempo em que chegamos á sala foi perfeito, a Rita e o André estavam a dar o primeiro beijo, fiquei muito feliz, não esperava que fosse tão breve mas sei que eles foram feitos um para o outro, e a Rita merece aquela felicidade, merece-o. O Rodrigo sem se aperceber do beijo pergunta:

-Cê já ‘tá pronto? – Rodrigo Machado não podias ter ficado calado mais um bocadinho, eles estavam tão bem e tu tinhas de interromper! Eles afastam-se, a minha prima fica muito envergonhada, e o André com o sorriso mais feliz que vi naquele rosto respondeu:

-Sim, estava só a despedir-me da minha pequenina. – Aproximou-se da Rita e sussurrou-lhe algo que não consegui ouvir. O Rodrigo abraçou-me, colocou as mãos ao fundo das minhas costas e eu coloquei a mão sobre o seu peito e sussurra-me:

-Também podíamos ter uma despedida como a deles. – Solta aquele sorriso encantador, muito característico e eu não resisti em também sorrir, mas respondo-lhe em forma de segredo:

-Tem calminha contigo meu menino. – Vi que ele ficou um pouco desiludido com a minha resposta então dou-lhe dois beijos bem no canto dos meus lábios, que o fez estremecer, assim como a mim. Como tinha as mãos sobre o seu peito faço-o afastar-se de mim e sorrimos, não sei o que me deu mas aquela proximidade que o fim-de-semana nos deu fez-me ver que talvez uma relação entre nós resultasse mas os medos e os receios de me voltar a envolver com um jogador fazem-me recear o futuro. Sei que a história com o Roberto pode não se repetir mas tenho medo, o Rodrigo ainda tem muito a provar-me.
O Rodrigo e o André já estavam a ir embora quando a Rita chama o André e ele dá-lhe um beijo, nem eu nem o Rodrigo esperávamos mas enfim o amor muda as pessoas. Depois a minha prima pede para tirar uma fotografia e o Rodrigo tira, era a hora finalmente da despedida, confesso que foi difícil mas amanhã ia estar com ele, lembrar-me da conversa que ficamos de ter amanhã deixava-me ansiosa, não sei bem o que lhe dizer, secalhar a história não é essa, sei exatamente o que lhe dizer mas não quero dizer, ele não tem culpa que eu não consiga entregar-me de alma e coração a uma relação e que tenha dúvidas e receios em relação aos jogadores de futebol, não tenho medo do futuro, nem pensar mas tenho receio que ele seja obrigado a mudar-se para outro clube e eu fique novamente só, tenho a minha vida no meu país, na minha cidade, não vou deixar a minha prima e o meu primito David, não vou deixar os meus amigos, o meu emprego, a minha família. Mal a Rita fecha a porta desliza até ao fim e eu peço desculpa pelo que fiz, afinal interrompi o momento deles:

-Desculpa ter interrompido, não tinha intenção. Mas já vi que as coisas andam muito avançadas. – Fiquei com a ligeira sensação que ela não me ouviu, mas mesmo assim perdida naquele sorriso parvo, mesmo de quem estava apaixonada responde-me:

-Não vou dizer que não interrompeste, é claro que interrompeste mas não faz mal eu não queria prolongar o momento muito mais, quero levar tudo com calma. – Levantou-se e enfrentou-me e não consegui aguentar soltar o meu sorriso, eu estava feliz e saber que o André deixou a minha prima nas nuvens, algo que eu não via desde que ela se mudou para junto de mim, ela merece toda a felicidade e todo o amor e ele é o homem que ela precisa. Mas perdida em pensamentos ela diz. - Mas já vi que não fui a única a ter um momento destes. Conta lá o que se passou…  – Virei costas e fui até ao meu quarto, claro que a minha vontade era contar-lhe tudo o que se passou mas acho que é cedo, assim não crio expectativas e depois nada se realiza, prefiro apenas eu saber e assim posso pensar por mim mesma, assim depois custava-me mais a esquecer, e além disso estou com a cabeça demasiado quente para falar sobre o que aconteceu, talvez noutro dia ou noutra altura eu aceite e acabe por contar o que se passou, afinal os beijos tiveram algum significado para nós, mas não quero apressar nada, quero que tudo aconteça naturalmente, quero descobrir tudo por mim mesma e até lá quem saiba consiga esquecer e ultrapassar estes meus medos.
Cheguei ao quarto, vesti o pijama, liguei a música bem baixinha e começo a dançar, era uma maneira de libertar a minha alma, a minha emoção, podia não desabafar sobre o beijo com a minha prima mas a dançar ficava tudo mais claro na minha cabeça, a escolha da música não demorou muito: Little Mix – Wings. Fico a dança-la e a repetir a música até não aguentar mais com o meu corpo: já me doía a alma, os pés já estavam exaustos, as minhas pernas doíam, não foi só descarregar energias ou ganhar músculos, era a melhor maneira para mim de esclarecer tudo o que pairava na minha cabeça. Desligo a música, vou até á casa de banho, dispo-me e tomo um banho refrescante, visto-me e vou-me deitar outra vez, acabo por adormecer rapidamente, mas não sem antes olhar para o telemóvel, ia colocar o despertador quando vejo uma mensagem não lida e uma chamada não atendida, não tinha energia para lê-la, coloco o despertador e adormeço.
Foi uma noite tranquila, os meus sonhos transmitiram exatamente o que o meu coração me dizia, sonhei com o primeiro beijo que dei com o Rodrigo, com os sentimentos que ele causou e que apesar de não serem a primeira vez que os sinto são diferentes do que senti, não consigo entregar-me de todo, e isto não é culpa dele, mas sim da sua profissão. Mas no sonho, eu não tenho medos, não tenho receios, era uma praia interminável e eu e o Rodrigo a vivermos o nosso momento, a assumir-mos o que sentimos, e estamos assim deliciados á algum tempo quando aparece o David, vindo não descobri bem de onde e abraça-nos e no meio de nós diz:

-Goto muito de ti madinha e padinho. – Mas assim que o menino diz isto eu acordo com o despertador, eram horas de ir trabalhar, fá-lo com todo o gosto mas depois de gastar as energias que gastei ontem com a dança e a probabilidade de rever o Rodrigo tornam tudo mais complicado. Sento-me na cama e digo para mim mesma:

-Mas que sonho tão estranho! – Realmente era estranho… Até nos sonhos o Rodrigo me segue com tudo o que provoca em mim, os sentimentos, as emoções, e o facto de o David não ser o mesmo quando está com o Rodrigo deixa-me um pouco triste, e até nos sonhos isto me acontece. Vejo que a chamada era do Roberto, o meu ex-namorado, não retribui a chamada mas leio a mensagem em voz alta:

“De: Roberto
Olá Ana :) Liguei-te e não atendeste por isso mandei-te uma mensagem, estou cheio de saudades tuas, quando puder vou aí ao Seixal rever-te ou então vens cá a Saragoça ver-me, tenho tantas coisas para te contar! Finalmente assumi á Elena o que sinto ela sente o mesmo somos oficialmente namorados! Beijinhos te adoro guapa. “
Quando leio aquela mensagem senti quase um balde de água fria a cair sobre mim, eu sabia que o seu coração agora pertencia á Elena mas magoa-me saber que namoram, muda tudo. Já não o amor, mas vivemos tanto e foi tão difícil a nossa separação e logo agora que estou feliz com o Rodrigo tinha de saber isto, sabia que aquela mensagem ia mudar tanto na minha vida, na vida que comecei a construir com o Rodrigo. E mesmo com mágoa respondo a mensagem:

“De: Ana
Olá Roberto :) Desculpa não ter atendido mas estava longe do telemóvel e ontem vieram jantar comigo e com a Rita e o David o Rodrigo e o André, desculpa não ter atendido. Sim vem cá tu que a última vez fui eu que fui aí! Muitos parabéns, quando puderes liga-me que não tenho muito saldo no telemóvel para me contares tudo, as maiores felicidades tu mereces”

 Vou até a casa de banho, faço a minha higiene pessoal, vou até ao quarto e visto-me, preparo algo rápido para o meu pequeno-almoço e como o David e a Rita já não estavam em casa não me despedi deles, fui até ao meu carro e depois em direção ao meu trabalho, hoje vou fazer tudo para evitar ver o Rodrigo, não sei o que fazer nem como lidar com ele.

Porque será que Ana terá ficado assim depois da mensagem de Roberto?
Será que ela consegue fugir dele durante o dia? Como irá ele reagir?

Capitulo 9: “Deixa-me ficar com uma recordação tua“

(Rita)


Estamos frente a frente, olhos nos olhos, os nossos corpos estavam a centímetros, quando cruzamos as mãos, tanto a direita como a esquerda. Não sei o que se está a passar. Sinceramente, ele, aos poucos dá comigo em doida, não posso dizer que não sinto nada quando estou com ele mas não é amor, é do nosso reencontro, ou talvez não. Não sei explicar ele provoca sentimentos em mim que nunca antes provocou, talvez é do reencontro ou talvez não, magoa-me saber que o que sinto por ele mudou, e não saber o que sinto por ele, tenho vontade de o abraçar, de o beijar mas também de falar com ele, não é amor mas também não é amizade. É um carinho especial posso dizer. Separo a minha mão esquerda da dele e colocou sobre os seus peitorais, o seu coração bate a um ritmo acelerado. A um ritmo que não parecia normal, fiquei um pouco assustada, com medo que algo de mal estivesse dele mas pelo seu sorriso lindo e maravilhoso não podia estar nada de mal, pelo menos com a sua saúde estava tudo bem, quanto aos seus sentimentos deviam estar tão confusos como os meus, tudo mudou, todo aquele tempo que estivemos separados e todas aquelas mudanças que vivemos mudaram-nos. Com a sua mão esquerda, encosta ao fundo das minhas costas e puxa-me contra ele, o seu toque deu-me segurança, transmitiu-me confiança mas ao mesmo tempo uma certa rigidez como se fosse obrigado a fazer aquilo, como se quisesse demais aquele momento, aquele aproximar dos nossos corpos fazia-me suspirar, fazia sentir-me nas nuvens, não percebo o que ele me faz sentir, talvez seja amor ou talvez seja só os meus desejos carnais de voltar a ter um homem, neste momento estou apenas dedicada ao meu filho mas a vontade de amar alguém nasceu e vive em mim, e o desejo de amá-lo a ele era cada vez mais forte… Já o adorava desde sempre, a nossa amizade é forte e duradora, somos companheiros mas será que estou preparada para o amar? Será que é o nosso destino ficarmos juntos? Acho que dentro de mim já nasce um sentimento diferente, mas não quero estragar a nossa amizade, ficamos frente a frente com as nossas caras a escassos milímetros, porque centímetros eu não me atrevo a dizer. A distância era tão curta mas ao mesmo tempo tão longa, fazia-me desejá-lo ainda mais, o desejo de o beijar nasce em mim a um ritmo alucinante, acho que nem nunca exigi tanto algo assim, sei que o beijo pode estragar a nossa amizade, que eu privilegio muito mas a necessidade do seu beijo, do seu toque torna-se cada vez mais insaciável, torna-se cada vez mais difícil de controlar, ele coloca a sua mão direita sobre a minha face e eu coloco a mão sobre o seu pescoço, sentia que era quase como um impulso para ele encurtar o pouco espaço que tínhamos de distância, sentia já a sua respiração ofegante e a embater nos meus lábios, ele estava-me a deixar louca e encosta os nossos lábios. O beijo foi tão curto, teve sabor a tão pouco mas ao mesmo tempo foi um pecado tão grande. O que significa aquele beijo? Não quero estragar a nossa amizade mas quero arriscar em algo mais que isso, o Rodrigo e a Ana aparecem e o Rodrigo diz:

-Cê já ‘tá pronto? – Eu e o André separamo-nos logo, quer as nossas mãos, quer os nossos corpos, como os toques, mantivemos a distância para fingir que nada tinha acontecido. Eles ficaram quase sem reação e eu fiquei mesmo sem reação, não queria que nos tivessem apanhado naquele beijo mas ao mesmo tempo queria que soubesse a mais. A Ana com os seus lábios pediu-me desculpa e o André respondeu:

-Sim, estava só a despedir-me da minha pequenina. – Aquele momento foi embaraçado o suficiente para nós. Ele aproximou-se de mim, colocou a mão ao fundo das minhas costas e sussurrou-me com os seus lábios bem encostados ao meu ouvido:

-Até depois minha pequenina, não te esqueças do dia de hoje que eu nunca o vou esquecer. – Sorri mas também corei, o André afastou-se e já a sair de casa falei um pouco mais alto:

-Espera… - Ele olhou para trás, e eu respirei bem fundo para ter coragem para dizer o que tanto desejava. – Deixa-me ficar com uma recordação tua. – Ele correu até junto de mim e encostou os nossos lábios, mas um beijo tímido e envergonhado, foi só um encosto de lábios. Sorriu e ainda muito próximos digo-lhe:

-Deixa-me ficar com uma fotografia tua. – Ele sorriu e tirou o seu telemóvel do bolso e deu ao Rodrigo para nos tirar uma fotografia, eu entreguei-lhe também o meu para nos tirar uma fotografia, não aguentava esperar até amanhã para o voltar a ver, queria deitar-me e sorrir a ver a sua fotografia, ver o seu sorriso e voltar a sentir-me feliz, voltar a senti-lo bem perto de mim. O Rodrigo tirou primeiro a fotografia do telemóvel do André:


A nossa primeira fotografia depois do reencontro, depois daquele misto de emoções nascer em mim. Mudamos de posições para tirarmos uma fotografia diferente para o meu telemóvel.



Esta fotografia era realmente mais romântica, notava-se mais a cumplicidade entre nós, o Rodrigo devolveu-nos o telemóvel e despedimo-nos já na entrada de casa com um abraço forte e sentido e para deixar a minha marca nele, dou-lhe um beijo no pescoço bastante sensual, onde ficou exatamente a marca do meu batom, era a minha maneira de lhe demonstrar que o sentimento era recíproco. Que queria um “nós” mas ao mesmo tempo tinha medo do futuro, eles foram-se embora e eu senti um vazio inundaram-me, fechei a porta, deslizei até ao fim e larguei um sorriso tipicamente romântico, não sei explicar, a Ana olhou para mim e disse:

-Desculpa ter interrompido, não tinha intenção. Mas já vi que as coisas andam muito avançadas. – Pouco ouvi mas o suficiente, a minha cabeça estava longe, bem longe dali, estava no André e apenas no André. Respondi-lhe:

-Não vou dizer que não interrompeste, é claro que interrompeste mas não faz mal eu não queria prolongar o momento muito mais, quero levar tudo com calma. – Levantei-me e enfrentei-a, que também tinha um sorriso safado na cara.- Mas já vi que não fui a única a ter um momento destes. Conta lá o que se passou… - Ela virou costas e foi para o quarto mas ainda respondeu:

-Até amanhã priminha, vai dormir que o teu mal é mesmo sono, ou então saudades do matulão. – Sorri, aquela rapariga é mesmo decidida, e não queria insistir com ela, peguei no telemóvel e olhei para a imagem, soltei o sorriso mais feliz que alguém possa imaginar e fui até ao meu quarto vestir o meu pijama e deitar-me ao lado do meu filho que já dormia profundamente á algum tempo, mas ainda oiço um “bip” no telemóvel. Olhei atenta para o telemóvel, era tarde e não esperava mensagem de ninguém e além disso o número não estava identificado. 

“De: 91#######
Adorei o nosso reencontro, foi tão, tão… Especial! Obrigada pela companhia, por seres assim tão especial para mim, por continuares a ser a minha pequenina, há coisas que não mudam mesmo com o tempo… O David é mesmo lindo e inteligente sai á mãe! Beijinhos e espero que amanhã possamos combinar qualquer coisa, já tenho saudades tuas! Quero repetir os nossos beijinhos. Te adoro pequenina <3 “
Guardei o número no telemóvel como “O Meu Homem” e decidi responder…

Que será que Rita irá responder? 
O que significará aqueles beijos? Será que no dia seguinte se reencontraram?

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Capitulo 8: Quero! Mas…



(Ana)

Era óbvio que o Rodrigo e o André tinham de aceitar o convite para jantar cá em casa. Era mais uma maneira de estar com o Rodrigo e da minha prima estar com o André. 
Fiquei super contente com a ideia de passar mais algum tempo com o Rodrigo, mas quando o meu minorquinha, o David, veio ter connosco e disse que não gostava do Rodrigo foi como levar um murro no estômago. Considerava-me um pouco mãe dele e o ele rejeitar o Rodrigo foi algo que me deixou um pouco triste. A Rita ainda tentou que ele fosse diferente, mas o David é assim… quando não gosta, não gosta e pronto!
Quando o assunto foi a brincadeira parecia ter recuado um pouco, mas mesmo assim não era o David a 100%. Estávamos os três no quarto dele, consequentemente o da Rita, e ele estava a brincar sozinho depois de nos ter explicado a parafernália de coisas que o boneco que a Renata lhe tinha dado fazia. Eu e o Rodrigo estávamos sentados num puff que a Rita tinha no quarto. Estávamos bem juntos, sentia o calor dele o que me deixava completamente cheia de calores que subiam por mim acima. 

- Seu primo não gosta nem um pouquinho de mim.

- Tens de lhe dar um bocado de tempo… somos as duas as mulheres dele e, com o André, ele vê-o como o amigo da mãe, agora contigo… ele não gosta muito de rapazes ao pé de mim depois de que o… - recuei… não queria estar a falar no assunto. 

- Vai parar agora? 

- É complicado de te explicar, mas um dia… um dia explico. 

- Até lá… - ele levantou-se – vou fazer esse moleque brincar comigo. 

O Rodrigo foi até ao David e começou a meter-se com ele:

- Posso me juntar a você? – perguntou-lhe.

- Podes… mas só poque a inha mãe despois fica xangada comigo. 

- David, chega aqui à prima por favor – chamei-o e ele veio ter comigo, sentando-se ao meu colo. 

- Que foi pima? 

- Eu queria pedir-te uma coisa… gosta do Rodrigo, por mim. 

- Eu goto dele… mas não quelo que ele saiba – falou baixinho para que o Rodrigo não ouvisse. 

- Mas assim vais deixá-lo triste. 

- E ele deixa-te triste a ti? 

- Não… a prima gosta muito dele, mas não lhe digas nada.

- Pometo – o David saiu do meu colo e foi brincar com o Rodrigo. 
Já se davam mais ou menos, mas o David fazia questão de ter algumas pequenas “discussões” com o Rodrigo. 
Entretanto a Rita chama-nos para jantar. O David foi logo a correr ter com ela. Deu-me a preguiça… estava mesmo bem ali sentada. O Rodrigo veio ter comigo e esticou a sua mão na minha direcção. Eu agarrei-me a ele e levantei-me. 
Ficamos a escassos centímetros de distância e os meus impulsos falaram mais alto que a minha consciência e os meus medos. Toquei nos lábios dele com os meus e falei: 

- O David gosta de ti – agarrei-o pela mão e fomos para a sala jantar.

O jantar foi super animado. O Rodrigo e o David continuavam a ter os seus pequenos atritos e desavenças, mas correu super bem… e a comida nem estava assim tão má, sendo feita pelo André. 
Depois do jantar o David acabou por adormecer no sofá e o André foi levá-lo ao quarto com a Rita, enquanto que eu fiquei na sala com o Rodrigo. E pronto… foi neste momento que fiquei sem saber o que fazer. Estavamos os dois sentados no sofá a olhar um para o outro. 

- Cê disse que o David gosta de mim… o moleque é difícil. 

- Tens de lhe dar tempo… Rodrigo, o que aconteceu no quarto da Rita…

- Fica no quarto da Rita. Ninguém sabe para além de nós. 

- Obrigada. 

Entretanto a Rita e o André chegaram à sala.

- Vamos andando Rodrigo? – perguntou-lhe o André, como tínhamos vindo todos no carro dele, agora o André tinha de voltar com ele. 

- Sim… despeça-se da sua amiga enquanto vou buscar meu casaco – o Rodrigo levantou-se e começou a caminhar, eu fui com ele até para dar privacidade à despedida da minha prima. O Rodrigo vestiu o casaco e falou: - nos vemos amanha dji novo, certo? 

- Claro… trabalhamos no mesmo sitio, com os mesmos horários. 

- Isso é mau? 

- Não disse nada disso – ele aproximou-se de mim e agarrou-me pela cintura – o que quer que seja que tenhas nessa cabeça é melhor sair-te da ideia. 

- Só quero que cê se lembre de mim essa noite – dito isto beija-me. 
Deixou-me uns segundos sem reacção, mas acabei por lhe corresponder, decidi entregar-me e sentir tudo por ele de maneira mais amplificada. 
Fez-me ver estrelas e ir à lua naquele momento, mas acabou por terminá-lo. 

- É impossível me esquecer de ti durante uma noite seu tonto – dei-lhe um beijo mais curto e abracei-o.

- Tava difícil chegar a si…

- Não me dês por conquistada… é mais difícil do que pensas Rodrigo – olhei-o – amanhã falamos melhor e percebes porque. 

Ele deu-me um beijo na testa e saímos do meu quarto. Fomos até à sala e o nosso timing não poderia ser mais assertivo.

Como será a partir de agora a relação dos dois?
E como será que Rita e André se despedem depois deste reencontro?

Capitulo 7: O Meu Lado Angelical versus O Meu Lado Infernal


(Rita)


O André, que estava ao meu lado, agarrou na minha mão esquerda e uniu-as, olhamo-nos em simultâneo e corei, podia dizer que o que sentia era do reencontro mas cada vez acho que é mais que isso, ele “mexe comigo” de uma forma especial, mais que uma amizade mas ainda não é amor, ele provoca sentimentos em mim que nunca mos fez sentir, talvez fosse das alterações que ele viveu, estava mais homens, mais maturo, mais bonito e até ele era melhor pessoa e eu nunca pensei que isso acontecesse, sempre foi um dos melhores rapazes que conheci na minha vida e ele surpreende-me, melhora e eu pergunto-me como é possível, e não é só isso, está mais bonito, mais atraente, mais simpático, mais humilde, mais lutador, estava diferente daquilo que sempre foi e isso provocou diferenças no que sentia em relação a ele, quer dizer também pode ser só o sentimento causado pelo reencontro, não sei dizer sinceramente, só o futuro me pode dizer o que sinto. O Rodrigo olhou para a Ana á espera que ela o convidasse, mas ela não o fez e acrescentou:

-Estão á esperas de quê para responderem meninos? – A Ana é ela própria sem dar nem pôr, é simplesmente ela própria mas cada vez que está ao pé do Rodrigo fica mais animada, mais divertida, acho que embora ela não admita a ela própria e a ele, aos poucos vão cedendo, algo me diz que vão ficar juntos. Não tinha demasiada confiança com o Rodrigo para lhe perguntar o que sentia pela minha prima, mas vi-a pela sua atitude que o sentimento era recíproco. O André sorriu e respondeu:

-Por mim está combinado. – Agarrei com força a mão dele e a olhar para mim acabou a sua frase. – Ainda tenho muito que falar com a minha Ritinha. – Corei e desviei o olhar, ele é tão querido, tão romântico (bem esta palavra não se adequa totalmente porque nós estamos longe, bem longe quer dizer não é assim tão longe mas também não é assim tão perto, ai André andas-me a desconcentrar e a dizer coisas sem nexo!), sorri e voltei a apertar a mão dele com força, o Rodrigo e a Ana olham-nos e reparam nas nossas mãos unidas mas nada que fizesse afastar as mãos, aliás só a demonstrávamos mais, ele levanta as mãos e mesmo para demonstrar algo que não entendi, beija a minha mão num beijo doce mas ao mesmo tempo rápido e eu retribuo o beijinho e dou-lhe mas um beijo bem suave e diferente na bochecha direita, quer dizer sobre a sua barba porque aquela barba naquele estado deixava-me ainda mais a suspirar por ele (mas o que é que se anda a passar contigo Rita?) e coloco a minha mão sobre a sua bochecha esquerda e fechamos os olhos durante o beijinho que fiz tudo para se estender. 

-Estamos a mais já viste Rodrigo? Cá para mim podíamos era ir embora que eles não davam por nada! – Claro a minha priminha estava danada para a brincadeira mas entre mim e o André só há uma amizade (ou algo mais já não sei).

-Cê está fera. – O Rodrigo não perdia uma oportunidade para a provocar e ela respondia.

-E tu estás engraçadinho, aliás demasiado engraçadinho para meu gosto! – Não pude deixar de ter vergonha, não pelas minhas atitudes e do André mas pelas palavras da Ana e do Rodrigo.

-Vamos mas é jantar que eu já estou a ficar com fome. – Disse eu interrompendo o momento, estranho que vivíamos, aquela reunião parecia mais um encontro de casais do que um encontro de amigos o que estava longe de ser verdade pelo menos da minha parte e do André, éramos bons velhos amigos, companheiros, quase irmãos e não me via a namorar com ele, quer dizer imaginava mas não queria, ou queria sinceramente já não sei, nunca me imaginei com ele até agora e tenho medo de confundir sentimentos e não é só isso, como reagiria o meu filho a um padrasto? Quer dizer ele já tem uma madrasta mas não lida tanto com ela como lidaria com um padrasto e além disso não me parece que venha a acontecer algo entre nós dois.

-E o que vamos fazer para o jantar? – Perguntou o André dando voltas na barriga, aquela fome característica que ele sempre teve não mudava mesmo com a idade.

-Não sei, gosto de tudo, quero é ter a melhor companhia do mundo. – Disse sorrindo ao mesmo tempo que corava e o André agarrou-me, encostou-se a mim e eu tomei iniciativa de darmos um beijo á esquimó como fazíamos na primária. Depois de o fazermos, oiço uns pequenos passos que bem conhecia cada vez mais próximos, afasto-me do André, afasto-me do seu corpo que está perfeito, os seus abdominais, o seu corpo, fazia-me suar, não era humano, aliás era impossível ser humano, estava tão bem construído, não tinha medo de estar ao seu lado e de trocar aquelas carícias mas não queria que o meu filho me visse assim. 

-Mamã, tenho fome. Quem são eles? – Olhou muito surpreendido para o André e para o Rodrigo.

-Respeitinho meu amor que eu não quero que os trates assim. São amigos da mãe e da prima. Dá um beijinho a cada um deles.

-Não quelo, eles são homens e eu também dou um “passou-bem”. – Rimo-nos todos, um menino com 2 anos a considerar-se um homem.

-Cê é divertido. – Meteu-se o Rodrigo com o David.

-Não goto dele mamã. – Agarrou-se á minha perna e olhou para mim. Peguei nele ao colo e ele olhou para o André que estava bem perto de nós e perguntou-lhe. – Também falas estanho? – Não consegui deixar de soltar uma gargalhada e o André ficou envergonhado.

-Não David, eu falo português. – E esticou-lhe a mão para lhe dar um “passou-bem” que o David logo retribuiu e acrescentou. 

– Mamã ele é fote, goto dele! – É engraçado como uma criança com 2 anos diz que gosta de um homem por um “passou-bem” e que não gosta de outro homem pelo sotaque.

-Não digas isso se faz favor David, o Rodrigo não gosta e eu não quero! Pede já desculpa que de certeza que não gostavas que te fizessem o mesmo. E ainda nem sabes o nome deles para os julgares assim. – Não gostei da atitude do David e como é em pequenino que se torce o pepino quero logo cortar o mal para a raiz para não ser um mal-educado, quero ensinar-lhe tudo mas não posso ser tão rígida por vezes.

-Sei sim mamã, já vi fotogafias deles, jogam á bola no Fenfica, é o Andé Gomas e o Godigo. – Eu e o André soltamos uma gargalha e rapidamente o Rodrigo ficou de “trombinhas”, ele deu-lhe um beijinho e eu dei-lhe um abraço.

-Não é Gomas, é Gomes amor e olha vai brincar um bocadinho com a Ana e com o Godigo para o quarto para eu e o Gomas fazermos o jantar pode ser?

-Sim. – Coloquei-o no chão e foi até junto do Rodrigo, agarrou-se á perna dele e disse. – Desculpa Godigo, anda ve o binquedo que a Genata e o papá deram. – Começaram os dois a correr até ao quarto e a Ana seguiu-os, já sabia que não ia ficar connosco, na opinião dela pelo que sei era “dois é bom, três é demais”, e eu agarrei na mão no André e fomos até á cozinha. 
Ele quis preparar o jantar, eu insisti mas ele era mais teimoso e como não conseguia resistir a um homem daqueles acabei por aceitar e coloquei apenas a mesa e ajudei-o quando precisava, como por exemplo saber onde estava determinados alimentos ou acompanhamentos, acabei por lhe pedir para preparar algo simples e rápido, porque se bem conheço (a mim, ao André e ao David) a fome era negra e só víamos a altura de jantar. O André acaba por preparar ovos mexidos, acompanhados por umas batatas fritas do pacote. Chamamos o David, a Ana e o Rodrigo para a mesa e já vinham mais animados, quer dizer a minha prima fazia tudo para os unir mas o David não cedia muito. 
O jantar acabou por passar rapidamente, o Rodrigo fazia tudo para ser amigo do David mas ele não cedia por nada, parecia que estava mais interessado em falar com o “Gomas”, por um lado isso alegrava-me mas por outro entristecia-me, não queria nada que o David não aceitasse o Rodrigo, sabia perfeitamente que isso ia ter influência na história da Ana e do Rodrigo, mas por outro lado o meu amor (refiro-me ao David como não poderia deixar de ser) dava-se bem com o Andrezito. Ameacei o meu filho que o punha de castigo se ele não fosse mais simpático com o Rodrigo mas nada feito, já não discutiam tanto e já não o tratava tão mal mas não tratava tão bem como queria. O jantar acabou e o David acabou por adormecer, fui juntamente com o André pô-lo na cama enquanto o Rodrigo e a Ana conversavam na sala, calculei que se estivessem a despedir assim como eu e o André, mas era um momento estranho, eu estava dentro de casa e ele á porta, mas apesar disso estávamos próximos, bastante próximos de mãos dadas mas não sabíamos qual era a melhor maneira de nos despedirmos (eu sabia que era espetar-lhe um beijo naqueles lábios e “desfazer-lhe” o melhor sorriso dele, mas no bom sentido, ai Rita que tu hoje só dizes asneira, concentra-te, eu concentrava-me mas era com aquele homem ui! Oh Rita a sério?! Ele é teu amigo de infância não vai acontecer nada… Está quieta e calada antes que sai-a asneiras… Mas olha não eras a única a querer um pedaço daquele homem, daquele caminho, se é mau ou bom eu não sei mas quero provar para saber.

Como será que se irão despedir?
Como correrá o final de noite entre o Rodrigo e Ana? O que dita o destino daqueles 4?

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Capitulo 6: O Reencontro



(Rita)

Desci um pouco atarefada e a correr, não queria demorar para não deixar o meu filho sozinho em casa durante muito tempo, ele poderia acordar com fome, rabugento ou com a fralda suja e a sentir-se em casa sozinho poderia sentir-se mal, e não era seguro, eu pelo menos não me sentia bem em deixá-lo assim, e claro estava curiosa por ver as surpresas da Ana, afinal não era só uma, era duas! E claro ia perguntar-lhe porque razão alguém tinha dormido no sofá da sala, será que ela finalmente se irá entendido com o Rodrigo? Mas assim ele não dormiria no sofá mas sim no quarto com ela, mas enfim era esperar para saber. Eles estão caidinhos um pelo outro mas nunca tiveram coragem para o assumir, ela já me disse que ele não lhe era indiferente, mas não voltou a falar do assunto, entendi que não queria fazer e eu não insisti, será que eles finalmente se tinham endireitado e já namoravam? Isto de não ter uma relação ou um amigo-colorido tornava-me ainda mais casamenteira e confesso que desde que os conheço que faço figas para estarem juntos.
Chego á entrada do prédio e quem lá estava não me surpreendeu, o Rodrigo e a Ana a fazerem cócegas um ao outro, muito divertidos, bem se era esta a surpresa devo confessar que não me surpreendeu. Abro a porta e o rapaz que estava encostado ao carro do Rodrigo, que estava estacionado ao lado do meu, olhou para mim e sorriu, corremos em direcção um do outro e eu não consegui esconder a felicidade, era o André… O André Gomes, o rapaz que me acompanhou durante toda a vida, o meu colega de infância, o meu melhor amigo, estava tão diferente desde a última vez que o vi, a barba cresceu, ele estava mais alto (ele sempre foi alto e fazia questão de me lembrar que ao seu lado sou pequenina e chamava-me assim mesmo), estava mais bonito, mais homem, mais evoluído e claro que uma série de sentimentos nasceram em mim, aquelas diferenças, aquelas evoluções tornaram-no num homem, e é mesmo esta a expressão certa, um homem alto, bem composto, bonito e com princípios, valores, com educação que sempre teve. Corro até ele e abraço-o.
Ai que saudades que eu tinha dele, e do seu abraço, do seu toque, ele larga o sorriso mais contagiante que vi nele até hoje e ficamos assim abraçados durante muito tempo até que ele me sussurra bem junto ao meu ouvido:

-Continuas a ser a minha pequenina... – Larguei um sorriso gigante e corei mas ainda nos seus braços, também bem perto do seu ouvido respondi:

-E tu continuas a ser o meu matulão! – Afastamos os nossos corpos e demos muitos beijinhos nas bochechas, não sei explicar mas ele “mexeu” comigo talvez seja só do reencontro que não esperava, não sei talvez seja algo mais mas espero bem que seja só por ser o nosso reencontro. Ficamos assim a conversar e a divertirmo-nos durante algum tempo até que a minha prima nos interrompe dizendo:

-Bem já vi que não tiveste saudades minhas. – Esqueci-me de a cumprimentar, a ela e ao Rodrigo mas mal vi o André não consegui ter outra reacção  queria estar junto dele, matar saudades. Mas o Rodrigo claro respondeu-lhe:

-Cê é ciumenta. – Começaram novamente a fazer cócegas, e eu não sei porquê agarrei na mão do André e aproximei-nos deles, não sei o que me deu, foi um gesto involuntário talvez, mas ele não recusou, antes pelo contrário apertou-a ainda mais e foi comigo até junto deles.

-Não via o matulão há imenso tempo e a ti e a ele vi anteontem e já entendi que estiveram o fim-de-semana juntos porque alguém dormiu no sofá. Ou foi o Rodrigo, ou o André, ou uma nova conquista tua. – O Rodrigo olhou-me meio com que ciúmes e eu sorri, o André respondeu logo:

-Eu não fui, não troco o conforto da minha cama por nada. – Sorrimos cumplicemente. 

- Fui eu cara, escusa de bater no ceguinho. – Respondeu o Rodrigo. 

Abri o carro e os homens levaram as malas isto porque só havia duas e o André insistiu que levava uma e por vontade, teimosia e brincadeira do Rodrigo e da Ana, ele levou a outra mala. Subimos até nossa casa num instante, lá teríamos tempo e mais á vontade para falarmos, pousaram as malas no quarto da Ana, isto porque no meu e do David estava o pequeno a dormir e pedi que não o incomodassem, afinal acordaria rabugento e supôs que não descansou nada no fim-de-semana, entre a brincadeira com a madrasta e com o pai, mas mal o André me pede para o rever eu cedo, não conseguia dizer-lhe que não, era impossível não o fazer, ele ficou completamente deliciado a olhar para ele e os seus olhos brilhavam como era possível um bebé com 2 anos fazer brilhar os olhos dele, e nem o vi-a há muito tempo. O Rodrigo e a Ana foram até ao quarto porque supostamente ele perdeu uma aposta e envolvia qualquer coisa no quarto, eles explicaram mas eu estava tão entretida a deliciar-me com o André e no modo ternurento com que olhava para o meu filho, com a sua presença e com a sua forma de estar e parecer que nem ouvi, entendi que o mesmo se passou com ele. Fomos até á sala, sentamo-nos no sofá, um ao lado do outro mas a olharmo-nos olhos nos olhos, confesso que estremeci-a sempre que me olhava com aquele olhar forte, e aquele novo porte dele fazia-me delirar, e o seu toque era tão masculino, tão seu… Sempre de mãos dadas íamos falando, mas ele estava mais interessado em ouvir a evolução da minha vida nos últimos anos do que em contar-me a sua história. Desde a última vez que nos vimos, queria saber: o porquê da minha mudança para Lisboa, que contasse as aventuras da maternidade, muito mais sendo solteira, que contasse como estavam as coisas no Norte, isto porque pelo caminho até nossa casa a Ana contou-lhe que voltei ao norte para passar o fim-de-semana pela primeira vez desde que me mudei para o Seixal, lhe contasse tudo sobre o David, queria conhecer um pouco mais de mim desde que nos separamos, e eu contei-lhe com todo o cuidado e atenção, sempre olhos nos olhos e com as mãos um sobre o outro e claro de vez em quando trocando beijinhos nas faces, era uma faceta nossa, não havia medo de algum toque diferente, estávamos completamente á vontade um com o outro. Mas também consegui saber um pouco da história dele, quer dizer o que perdi desde a última vez em que estivemos juntos, mas assim que ele começa a contar desde a sua chegada ao grande Benfica, aparece o Rodrigo e a Ana e eu olho para o relógio, já passava das 20h. E claro estava na hora de jantar e decido convidá-los para jantar, isto porque ainda queria falar com o André, havia tanto para falar e nem a meio íamos:

-Matulão. – O André sorriu. – E tu… - Apontei para o Rodrigo que sorriu, em conjunto com a Ana, realmente notava-se e bem a diferença com que tratei os dois, também porque adorava meter-me com ele, mas claro na brincadeira, ele é todinho da minha prima, não quero namorado nos próximos tempos. – Querem jantar cá em casa?

-Então e eu?- Perguntou a minha priminha.

-Tu não precisas de convite tonta a casa é tua mas eles precisam… Então meninos querem? – Olhei para os dois á espera de uma resposta que a mim me parecia irrecusável e no fundo pedia para o André aceitar por minha causa mas também por causa do David, porque da parte do Rodrigo quase de certeza que aceitaria por causa da Ana, as coisas entre eles estavam a ajustar-se, até que enfim!

O que será que eles vão responder?
Como será o resto do reencontro entre os amigos de infância? O que destina o futuro deles?

Capitulo 5: “Vamo ficar junto?”



(Ana) 

Depressa chegámos a nossa casa. O carro da Rita estava estacionado à porta, eu dei-lhe um toque e esperamos os três junto do carro dela.

- Sua prima vai ter um ataque cardíaco – falou o Rodrigo.

- Se fosse só um ataque cardíaco… eu acho que ela vai entrar em choque. O moço está bastante diferente das fotos que ela tem dele – o André estava um pouco mais afastado de nós e eu falei mais baixo para que ele não me ouvisse. Vi-a perfeitamente que ele estava nervoso e ansioso também.

- Ele tá muito nervoso, cê já viu? 

- Sim… deve ser o coração a falar mais alto.

- Cê tá lamechas.

- Eu!? Rodrigo Machado, lamechice é o meu nome do meio!

- Podia não falar meu nome como se fosse minha mãe. 

- Oh… menino da mamã Machado.

- Eu te digo quem é o menino da mamã – e com isto começa a fazer-me cócegas. Se há coisa que eu não suporto são cócegas, fico cheia de soluços e nunca é bom resultado.
Estávamos os dois tão distraídos que quando voltei a olhar para o André já ele estava abraçado à minha prima. Aqueles dois eram feitos um para o outro.

- Bem já vi que não tiveste saudades minhas – atirei. Se havia coisa que eu gostava era de me meter com a minha prima. Ela é um ano mais nova que eu, mas somos as duas super malucas.

- Cê é ciumenta – falou o Rodrigo voltando a fazer-me cócegas.

- Sou sim! Sobretudo daquilo que é meu e a prima é minha! – Falei para ele. A Rita começou a aproximar-se de nós e vinha de mão dada com o André.

- Não via o matulão há imenso tempo e a ti e a ele vi anteontem e já entendi que estiveram o fim-de-semana juntos porque alguém dormiu no sofá. Ou foi o Rodrigo, ou o André, ou uma nova conquista tua. – O Rodrigo olhou para a minha prima meio com ciúmes, o que deixou a minha prima super sorridente… casamenteira que ela é!

- Eu não fui, não troco o conforto da minha cama por nada. – respondeu o André.

- Fui eu cara, escusa de bater no ceguinho. – o Rodrigo acabou por admitir.

- Vamos mas é para cima! – os rapazes acabaram por levar as malas para cima e deixamo-las no meu quarto, porque o David estava a dormir no da Rita e ela não o queria acordar.

- Cê quer pagar agora minha aposta? – perguntou-me o David. Não entendi que aposta se tratava, uma vez que não tinha apostado nada com ele.

- Aposta!? – estava completamente à nora.

- Sim! Aquela que cê tem no quarto – respondeu-me piscando o olho. Foi aí que percebi! Era para deixar a Rita e o André sozinhos.

- Ah! Sim! Prima, eu tenho de lhe ir dar uma coisa nós já voltamos – ela respondeu-me, mas duvido que estivesse a tomar atenção… estava demasiado concentrada no André.
Eu e o Rodrigo fomos até ao meu quarto e acabamos por nos sentarmos em cima da cama.

- Cê acha que eles… vão ficar juntos? 

- Têm de ficar! A minha prima ama o André, eles são melhores amigos e não é está distância que tiveram que vão ser diferentes. 

- E nós? 

- Nós o que Rodrigo? 

- Vamo ficar junto? 

- Estás aqui, já é o segundo dia que passas comigo e as tuas piadas já começam a ter mesmo piada… queres ficar ainda mais junto? 

- Tava falando como sua prima e o André…

- Rodrigo… acalma lá os cavalinhos. Eu gosto de estar contigo, mas isso não quer dizer que tenha de ser tua namorada – não estava a ser correcta com ele, nem comigo mesma, a verdade é que eu sinto qualquer coisa por ele, mas da minha última experiência de relações amorosas com um jogador da bola não deu certo. Quando o Roberto saiu do Benfica custou imenso superar isso e acho que o medo de me entregar de novo falou mais alto.
Vi que o Rodrigo ficou um pouco desanimado – nem penses que vais ficar assim! Eu gosto muito de ti! És um menino 5 estrelas e eu adoro estar contigo, mas por favor, não tentes estragar o que temos agora. Vamos dar tempo à nossa amizade e se algo mais vier… só Deus nos pode dizer isso. 

- Cê é capaz de ter razão. Desculpa. 

- Nada de desculpas, seu tonto! 

- Eu te digo quem é tonto! – e nisto mete-se em cima de mim fazendo-me cócegas. Comecei a soluçar e a ficar com dores de barriga de tanto rir.

- Rodrigo, pára! Por favor! 

- Que é que cê me dá em troca pra eu parar? 

-  O que tu quiseres! 

- É mesmo? 

- É mesmo! Mas pára, ou eu vomito-te para cima! 

- Ei, isso não! – ele parou e saiu de cima de mim. Sentamo-nos os dois na cama e eu tentei recuperar a minha respiração normal – cê, vai dar aquilo que eu quero? 

- Será que nunca te esqueces de nada!? 

- Apostas são apostas. Cê disse que se eu te largasse cê me dava o que eu queria… pois bem, eu quero um beijo seu – mas será que ele não tinha ouvido nada daquilo que eu lhe tinha dito!? Ou era mesmo teimoso!?

- Tudo bem – cheguei perto dele e dei-lhe um beijo na bochecha.

- Gostei muito desse, mas não era bem o que eu tava pensando. 

- Ei… tu tem lá calma contigo. Já te dei um beijo e era o que me tinhas pedido. 

- E eu te posso dar um? 

- Desde que não te estiques! 
O Rodrigo aproximou-se de mim e beijou-me a bochecha direita.
Aquele contacto dos seus lábios com a minha pela, deixou-me completamente KO. Eu adoro a companhia dele e faz-me sentir alegre e bem disposta, porque é o que ele é.
Eu confesso que é mais do que amizade que sinto por ele, mas tenho medo, tenho medo de me entregar por completo a uma pessoa como me entreguei uma única vez.
As nossas faces estavam muito próximas uma da outra e eu conseguia sentir a respiração dele contra a minha. Ele era perfeito, estava perfeito. Cada milímetro de si era como se fosse uma escultura completamente perfeita.

Será que entre os dois algo mais acontece?
E com a prima Rita e o André? Que será que se passa na sala?

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Capítulo 4: Tenho Surpresas Para Ti



(Rita)

Saiu de casa dos meus pais, onde revi a minha família que deixei para trás e me afastei assim que fui viver para Lisboa, e onde tive aquele estranho reencontro com os pais do André, devo confessar que desejei tê-lo visto, nós fomos fiéis companheiros de infância, melhores amigos e quase irmãos mas a distância estragou a nossa relação, perdi contacto com ele, apenas sei que joga no glorioso e que uma grande carreira o espera. Enquanto estava grávida vi-o, e já depois disso também, ele foi ver o David ao hospital e teve algum tempo connosco nos primeiros tempos de vida do meu filho.
Faço o caminho até ao Porto, mas vou um pouco acelerada, algo que não é muito comum em mim visto que tenho muito cuidado comigo e com o meu carro, mas queria mesmo ver o meu filho e saber como correu o fim-de-semana com o pai e a madrasta, algo que era novo para ele também, porque desde que eu e o pai dele terminamos o nosso namoro, eu não tive namorado e o pai dele apenas teve a Renata. Estaciono o carro, toco á campainha daquela casa que conhecia tão bem, vivi lá durante algum tempo, e quem me abre a porta é o Miguel mas o vejo, olho para dentro de casa e a Renata e o David estão a brincar, mais precisamente a correr um atrás do outro, o que me surpreendeu muito. O Miguel diz-me:

-Entra Rita. – Deu-me espaço para entrar e assim que o fiz cumprimentei-o com dois beijos. Entrei para dentro de casa e chamei logo o meu filho:

-Olá David. – O menino que estava parado a descansar veio a correr até ao pé de mim, deu-me um beijo na face e respondeu:

-Olá mãe. – Estava muito contente mas ao mesmo tempo muito cansado, senti logo que gostou do fim-de-semana e divertiu-se muito. – Então filhote já fizeste as pazes com a Renata? – Olhei para ele e como pequeno que é sorriu e respondeu muito animado enquanto ela lhe fazia cócegas:

-Sim mamã, o David foi mau. A Genata é fixe. – Fez-me o sinal de fixe e sorriu.

-Então já lhe pediste desculpa por teres sido injusto? – Ele acenou negativamente com a cabeça. – Vai lá dar um beijinho, um abracinho e pedir desculpa. – Dito isto foi ter com ela, deu-lhe um beijinho, um abraço grande e pediu desculpa.

-Descupa, fui mau. Pometo que não vou seg mais. – Ela sorriu, deu-lhe um abraço e um beijinho e eu informei que estava na hora da despedida:

-Amorzinho temos que voltar para Lisboa, deixamos lá a Ana sozinha. – Ele faz cara triste mas acatou rapidamente a ordem, o David é muito ligado á Ana e assim que lhe disse, ele entendeu que era mesmo necessário ir. Despediu-se do pai e da madrasta e fomos até á entrada de casa, despedi-me também deles e agradeci-lhes:

-Obrigada por cuidarem tão bem do meu filho. – Cruzaram as mãos sorriram os dois e ele respondeu:

-Do nosso filho Rita, o David é nosso filho e eu vou sempre cuidar bem dele apesar de estarmos separados. – Quando nos separamos a minha principal preocupação foi que o Miguel não tratasse bem o David, ou que o negasse, e admito que depois dele começar a namorar com a Renata as preocupações aumentaram mas foi tudo em vão.

-Não tens de agradecer Rita, eu amo o Miguel e a amá-lo tenho de aceitar o David, mas não tento tirar-te o lugar de mãe, longe de mim, podes descansar porque da nossa parte tudo faremos por ele. – Aquelas palavras acalmaram-me. Despedi-me deles, peguei na mochila dele às costas, pedi-lhe que levasse a dos brinquedos e levei-o até ao carro, coloquei-o na cadeirinha e fiz o meu caminho de regresso até Lisboa, ainda pensei em ligar para a Ana a avisá-la mas o efeito surpresa seria melhor e claro como o David adormeceu antes de sairmos do Porto e dormiu até chegarmos a Lisboa facilitou a minha decisão. A viagem correu da mesma maneira que tinha corrido para cá, foi calma e tranquila mas desta vez ele não acordou, o que me causou estranheza porque ele não costuma ficar tantas horas sem comer e se estivesse a dormir, normalmente acorda para reclamar com fome. Fiz a viagem e depois de algumas horas de viagem cheguei ao Seixal, não estava cansada nem pouco mais ou menos na verdade estou cheia de energia até, mas como o David dorme profundamente e eu não tenho coragem de o acordar, pego nele ao colo, agarro numa mala, e vou até minha casa, pelo menos para chamar a Ana para me ajudar, mas mal chego a casa nada de Ana, decidi ligar-lhe, achei estranho e claro quero saber onde é que ela está, ligo-lhe e depois de muitos toques, ela finalmente me atende:

-Finalmente Ana! – Exclamei. – Então rapariga mas tu estás onde? – Comecei a ouvir risadas do outro lado do telefone, risadas animadas, sozinha não está e está bastante animada.

-Olá prima! – Exclamou animada. -Estou no Caixa porquê?

-Porque cheguei agora e não sabia de ti, precisava da tua ajuda para descarregar o carro e nada de ti.

-Só me ligas para dizer que precisas de mim, que prima tão engraçada! – Ela estava realmente muito animada.

-Não é nada disso tu sabes.

-Está descansada que eu e os rapazes já aparecemos por casa para te ajudar não faças nada, toma só conta do David que nós já aparecemos.

-Só se for olhar para ele, está a dormir desde que saímos do Porto. Fico em casa e dás-me um toque para o telefone e eu desço, pode ser? Quem é que aparece Ana?
-Surpresa! Sim, eu dou-te um toque para o telemóvel e tu desces. Beijinho até já. Vais gostar muito das surpresas.

-Surpresas? – Isto significa que é mais que uma e da parte da Ana era de admirar. – Agora ainda me deixaste mais curiosa. Beijinho até já.

Agarro num saco, no saco de brinquedos do David vou até minha casa, deito o menino, vou tomar um banho rápido, muito rápido e visto-me, algo mais prático para transportar malas, o frio já se fazia sentir ou não estávamos nós no mês de Outubro, algo prático, confortável mas ao mesmo tempo bonito, isto porque quero ver quais são os homens-surpresa da Ana.

Calço uns ténis bem confortáveis e práticos para acompanhar a roupa que tinha vestida.
Deito o menino na minha cama, isto porque assim sinto-me mais segura e oiço o meu telemóvel, desço no prédio e vou ter a Ana e com as surpresas, isto porque fiquei curiosa por saber quais e quem eram as surpresas delas, mas também que surpresas poderia ter para transportar malas até casa?


Quais serão as surpresas de Ana para Rita?
Será que Rita vai gostar? O que dita o destino daquela mãe?

Capitulo 3: “Teimoso!”


(Ana)

O meu sábado foi um dia tipo… perfeito!
O Rodrigo levou-me a almoçar a um restaurante no Guincho e desde aí que não desgrudamos um do outro. Apesar de estar um tempo um pouco mais fresco andamos a passear pelas praias maravilhosas e estávamos cada vez mais próximos. Aquele menino era mesmo especial e cada vez me fazia sentir uma verdadeira sonhadora.
Voltámos para o Seixal já perto da hora de jantar e acabei por convidar o Rodrigo a jantar comigo. A Rita e o David só voltavam no dia seguinte e a companhia dele era tão boa que, mesmo com bocas e piadas à mistura, era perfeita.
A noite já ia longa e acabamos por beber vinho a mais e misturado com umas caipirinhas improvisadas do Rodrigo. Ele não estava em condições de conduzir e eu ia pelo mesmo caminho. Ele acabou por dormir cá em casa. Dormiu foi no sofá. Não o iria por a dormir no quarto da minha prima, e muito menos no meu… era demasiado cedo para isso. Mais tarde, quem sabe?
Na manhã de Domingo acordei com o barulho do meu despertador. Tinha de ir para o CFC, era dia de trabalho. Levantei-me, fui tomar duche e vesti-me.
Tive de escolher a roupa com mais algum cuidado porque hoje para além de ser recepcionista iria ter uma reunião com o director para a renovação do meu contrato. Até parecia que era um jogador para andar a ser renovada… mas enfim, protocolos são protocolos. O Benfica não era muito exigente em relação à indumentária, até pelo contrário, não impunha nenhum dress code especial.

Sai do meu quarto e fui até à sala. Tudo o que eu pensava ter sido um sonho não o era. O Rodrigo estava a dormir no meu sofá.
Fui até à parte da frente do sofá, ajoelhei-me e dei-lhe um beijinho na bochecha. 

- Garoto! Tá na hora de ir trabalhar – ele mexeu-se e abriu os olhos. 

- Cê tá tentando fazer esse sotaque mas não consegue. 

- Começas assim que acordas? 

- É pra você vê que eu te adoro. 

- Eu também adoro você, mas nosso patrão não vai adorar se continuarmos aqui – levantei-me e fui até à cozinha. Peguei em dois pães, meti-lhes fiambre e fui de novo até à sala – espero que tenhas aproveitado para ir lavar a cara. É que nem tens tempo de ir a casa. 

- Eu sei. Vamo – ele abriu a porta de casa e saímos os dois. Dei-lhe um dos pães para ele comer – cê quer boleia? 

- Não…

- Pra que levar dois carros se podemos levar só um e depois vir junto de novo? 

- Mas quem é que vem junto de novo? 

- Nós… não me diga que sou assim tão má companhia.

- És, por acaso até és – ups… mentira. 

- Tá bom, mas você vai comigo na mesma – o Rodrigo meteu-me às suas costas e levou-me até ao seu carro. 

- Mas tu és muito teimoso ou ouves mal? 

- Teimoso!

Ele abriu a porta do carro e eu entrei. Não iria estar a discutir mais com ele… ainda acabávamos por chegar mesmo atrasados. 
O caminho até ao CFC foi todo ele super descontraído e em menos de 10 minutos já estávamos no nosso local de trabalho. 
A minha manha foi toda ela super agitada. Entre atender telefonemas, responder a emails e a reunião com o director não tive tempo para descançar. Era quase horas de sair quando o meu telefone toca.

“You and I go hard at each other like we're going to war
You and I go rough, we keep throwing things and slamming the door
You and I get so damn dysfunctional we start keeping score
You and I get sick, yeah, I know that we can do this no more

But, baby, there you go again, there you go again making me love you, uh”

Apressei-me a atender. Era o Rodrigo. 

- Isso é tudo saudades minhas? – perguntei ao atender. 

- É pois! Cê já tá despachada? 

- Tou quase porque? 

- Vou ter com você – e desligou a chamada. Enquanto eu terminei a minha última tarefa do dia o Rodrigo apareceu e vinha com uma cara que eu bem conhecia. 

- André Gomes?! – estava incredúla… a minha priminha ia ficar tão contente por vê-lo outra vez. 

- Cês se conhecem? – perguntou o Rodrigo. 

- Eu conheço-o, mas ele não me conhece a mim. Eu sou a Ana… prima da Rita Mendonça – o rapaz ficou super surpreendido, mas com um sorriso enorme na cara. E nisto toca o meu telefone. 

“The day I first met you
You told me you'd never fall in love
But now that I get you
I know fear is what it really was

Now here we are, so close, yet so far
Haven't I passed the test.
When will you realize
Baby i'm not like the rest” Demi Lovato - Give Your Heart a Break

Era o toque da Rita. Que oportuna. 
Atendi e ela já estava em casa a precisar de ajuda. Foi aí que tive uma ideia. Desliguei a chamada e virei-me para os rapazes. 

- Era a Rita… está a precisar de ajuda e eu não estou lá em casa.

- Eu te levo – falou o Rodrigo. 

- Queres vir André? 


Qual será a resposta de André? Reencontrar-se-iam os dois?
E Ana e Rodrigo? Como serão eles a partir de agora?

domingo, 23 de dezembro de 2012

Capítulo 2: O regresso ás origens


(Rita)


Pela primeira vez, desde que rumei à capital, que vou rever a minha família: os meus pais, os meus irmãos, os meus cunhados e os meus sobrinhos, vou até ao norte, aproveito e também revejo os poucos amigos que lá deixei, a minha melhor amiga Carolina e o irmão do pai do David, o meu ex-cunhado que me é tão importante, é um grande amigo João que sei que posso contar sempre com ele e foi ele que me apoiou quando decidi vir para Lisboa e todos os meses manda uma quantia de dinheiro mas sem ninguém saber, é um dos principais motivos para ainda deixar o meu filhote ir para o pai, isto porque o menino muda não se sente bem com a família paterna e embora seja pai dele, não lhe dá a educação que deve ser e o nosso filho merece mas como pai e como não quero arranjar problemas decidi que ele seria um pai atento. Acordei bastante cedo mas não acordei o David, por volta das 7h já estávamos em viagem, como não gosto de conduzir em silêncio e não podia ligar o rádio porque o David dormia profundamente ligo o rádio e começo o caminho no meu carrinho até á minha primeira paragem: Porto, onde o meu pequeno ficaria com a família paterna e eu iria até junto da minha família, iria ser uma surpresa para todos eles, já perto de Coimbra o menino acorda e sorri logo, mas rapidamente fica rabugento e pergunta:

-Mamã poque estamos no popó? O David tem fome.

-Porque vais ter com o pai e a mãe vai ver os avós, os tios e os primos. Oh amor agora a mãe está a conduzir mas prometo que já paro para comeres qualquer coisa.

-Não quelo i po papa ele namoa com a menina fea e dá beijinho pocos, a amiga do papá é feia e má.

-E porque não dizes ao papá que não gostas dela?

-O David já disse mas o papa disse pa não dize isso que é caca e não diz! A Genata diz que o David é feio.

-Eu falo com o pai deixa. Olha vamos parar e vamos comer qualquer coisita amor. 

-Tá bem mamã. David que batata.

-A esta hora não vais comer batatas, ficas com dói-dói na cabecinha.

-Mas eu quelo!

-Não David, já disse que não.

-Vou chorar! 

-Não quero saber bebé, se tens fome comes qualquer coisa. – Acabei por parar numa estação de serviço e mal tiro o sinto ao David ele quer começar a correr mas eu agarro-o, sento-o no banco de trás e começo a dar-lhe comer, ele diz que não quer e eu não insisto, no caminho para o Porto havia de se queixar com fome e aí dava-lhe o que havia trazido. Fui com ele até á casa de banho e mudei-lhe a fralda, continuava de “trombinhas” e mal falava comigo, pensei em desistir e dar-lhe as batatas que ele tanto desejava mas acabei por não o fazer senão não lhe estava a dar a educação que ele precisava e merecia, não, não é fácil educar um bebé e às vezes magoa-nos mas cada sorriso vale a pena, ele era um menino de ouro na minha opinião e eu orgulhava-me de dizer que ele era meu filhote, que o dei à luz, que o eduquei e sou a principal responsável por ele, o meu pequeno David Simão Mendonça Marques.

-David se tens fome comes, senão tens não comes, vou deixar a comida aos teus pés se quiseres avisas e comes no caminho mas que isto não se volte a repetir ouviste David Simão? – Ele acenou positivamente a cabeça, coloquei-lhe o cinto e voltamos a fazer a viagem até ao Porto, cidade natal do meu amor, se soubesse o que sei hoje acho que era mais provável que ele nascesse em Lisboa. Liguei o rádio e continuamos, passado alguns 10 minutos ele pede-me para colocar o seu CD, com músicas infantis, eu coloco, mas ao contrário do que é costume ele não canta, talvez porque a fome não deixasse, mal acaba a música que ele mais gosta pede:

-Mamã podes da a comida ao David? 

-Não ouvi nada

-Se faz favor mamã Tita. – O seu jeito particular de ser querido tratando-me pela alcunha mais querida era intimo e fazia-me sorrir. Abri a bolsa e dei-lhe comidinha, que comeu num instante e ainda repetiu.
Passado algum tempo chegamos ao Porto e eu deixei-o com o pai e com a madrasta mas sem nenhum deles entender segredo ao pai dele:

-O David não gosta muito da madrasta, diz que é má e feia por isso vê o que fazes, não o obrigues a nada.

-Está descansada, vou fazer tudo para a Renata e o David se darem bem se o obrigar a nada. 

-Obrigada. – Virei costas e fui embora, não sem antes me despedir do meu filho, era verdade que o revia amanhã e voltaríamos para Lisboa mas custava-me saber que ele ia estar junto a uma pessoa que não gostava e pelo que me pareceu não era a melhor pessoa para ele, mas talvez o pai dele soubesse cumprir o que prometeu.

Fiz a minha viagem até à minha terra natal, toquei a porta da casa dos meus pais e quem me abriu foi o meu irmão Rúben e o meu sobrinho Miguel, entrei e falei com toda a minha família, hoje iam almoçar em família. Os meus dois irmãos mais velhos: Miguel com 25 anos, casado com a minha cunhada Maria com 28 anos e pais do Miguel com 3 anos e o meu irmão Gonçalo com 31 anos casado com a Joana e são pais do meu sobrinho Dinis com 14 meses e a minha cunhada grávida de 7 meses de uma menina que se vai chamar Beatriz. Embora more em Lisboa, o meu irmão Miguel escolheu-me para madrinha do Miguel e devo confessar que sou uma madrinha babada, foi graças a ele que sei muito sobre a educação e formação de um bebé, visto que ele e o meu filho só têm 1 anito de diferença.
Almocei com eles e o fim-de-semana passou a correr, fui muito feliz mas preferi não sair de casa, queria viver aquele momento só com a minha família que morria de saudades e numa outra altura, eu queria mesmo estar com eles, claro que me perguntaram pelo meu filhote e eu disse que estava a passar o fim-de-semana com o pai, queriam revê-lo e eu prometi que em breve, assim que pudesse viria com ele visitá-los mais uma vez. No domingo na hora de almoço, os meus anteriores vizinhos e agora vizinhos dos meus pais, isso mesmo os pais do André Gomes aparecem por casa e conversamos um pouco, falaram-me do meu antigo companheiro, daquele que considerava quase um irmão, está a jogar no meu Benfica e está feliz, aliás como nunca esteve, admito que fiquei com curiosidade por o rever, quem sabe não vou até ao Caixa Futebol Campus, onde a minha prima trabalha e o revejo, ou então vou até ao estádio. Depois do almoço acabei por ter que me ir embora, ainda tinha que ir buscar o meu filhote e voltar ainda hoje para Lisboa, como a Ana não me ligou só posso prever que algo se passou e eu quero saber.
Num instante vou até ao Porto, o reencontro com a minha família foi perfeito e devo assumir que o reencontro com a família do André “mexeu” comigo, como será que ele se está a safar em Lisboa? A adaptação custa mas ele é tão boa pessoa que deve ter sido fácil, quem sabe não o reencontro um dia. Vou ver como foi o fim-de-semana do meu filhote com a família paterna e como correu estes dias com a madrasta, devo confessar que me fazia lembrar a imagem de madrasta má da Branca de Neve, mas por um lado confio no pai dele e sei que fez os possíveis para tudo correr bem.

Como terá corrido o fim-de-semana de David com a família paterna?
Será que Rita reencontrará André em Lisboa? Porque terá “mexido” o reencontro com os pais dele?